Friday, 23 March 2012

Triatlo de Alpiarça - Excelente prova de abertura!



Foi no passado Domingo o primeiro Triatlo da Época 2012. O placo, Alpiarça no Ribatejo!

O dia acordou meio nubloso, com aguaceiros. Muito diferente dos dias de Inverno solarengos que têm sido a constante este ano. Fiquei algo pensativo e preocupado. Num percurso algo técnico como o de Alpiarça e com piso molhado, poderia haver acidentes.

Estas preocupações foram desaparecendo à medida que me dirigia a para o local. O Sol começou a tomar conta do céu e o piso foi secando. Mantinham-se algumas nuvens cinzentas e estava vento, mas felizmente não chovia.

Cheguei cedo e deu tempo para fazer o reconhecimento do percurso de ciclismo juntamento com o Bruno Silva, que este ano está de regresso ao Clube! Serviu de aquecimento e para ganhar coragem para nadar numa água que se dizia estar a 14º!

Depois de um “check in” atempado e calmo e dirigi-me para a água. Hesitei em fazer o aquecimento normal de natação. Com a agua tão fria, normalmente encurto o aquecimento para não ficar gelado. É um meio termo! Mas acabei por me atirar para a barragem faltavam 20m para a partida. Sim, estava fria, mas não a 14º. Uns 15 ou 16. Fria na mesma:)

A partida este ano estava segmentada por caixas. Os veteranos partiam na “caixa” do lado esquerdo da linha. Com 350 atletas naquele curso de água, previa muita confusão até à 1ª bóia. Mas não, acabei por fazer esse percurso relativamente livre de confusões.

Senti-me normal durante todo o segmento. Realço que normal para mim é sempre pouco confortável e a desejar que acabe o mais rápido possível. Não sabia se ia bem ou mal. Nem mesmo dentro da T1 consegui perceber que tipo de performance tinha tido no primeiro segmento. Este ano apesar de levar relógio, nunca olhei para ele!

Assim que iniciei o percurso de ciclismo, dada as companhias que tinha, conclui que o resultado da natação foi dentro do esperado. Procurei gerir o ciclismo o melhor possível. Passei por momento difíceis na 1ª volta mas lá me fui aguentando dentro do grupo onde ia.

Considero que o circuito de ciclismo de Alpiarça é o ideal para provas de Triatlo. Nem demasiado fácil, nem demasiado difícil. Tem algumas zonas técnicas, uma subida progressiva longa e outra curta mas inclinada. Permite a formação de grupos, mas é preciso ter “pernas” para ir neles. Os grupos acabam por nunca ser muito numerosos.

Chegava a T2. Estava na hora de perceber se iria conseguir ”correr”. O ano passado tinha-me arrastado literalmente. Rapidamente percebi que não ia demasiado preso. O primeiro km custa-me sempre. Mas aos poucos e poucos fui encontrando o meu ritmo e aumentado a capacidade de sofrimento. Acabei por terminar bem, melhor do que esperava.

Fiquei particularmente satisfeito com esta prestação na corrida e globalmente satisfeito com o resultado final. Afinal de contas tinha estado por dentro da prova, dentro de uma prestação razoável, numa excelente jornada desportiva. Gosto de ter esta sensação. É ela que me move e confirma que continuo a gostar muito de andar nestas andanças.

A próxima prova deverá ser o Triatlo Longo de Lisboa. No inicio de Maio. Vamos a isso!

Bons treinos!

Monday, 5 March 2012

Treino de Domingo

O percurso do meu treino de ontem. Não me senti grande coisa mas foi um belo passeio.
Ainda corri 5km depois.

http://maps.google.com/maps/ms?msid=215856990420978115851.0004ba809a378f55a8c0c&msa=0

Thursday, 16 February 2012

Ponto de Situação


O Inverno vai no seu auge! Mas já se notam os dias a crescer. Há luz de manha antes das 7h, sinal que a Primavera se aproxima!

A austeridade também está no auge. É o que escrevem os jornais e mostram a televisões. E quando não há nada de relevante na austeridade há sempre uma noticia de folclore interno para animar. É o país que temos!

Tentamos manter o optimismo e caminhar tranquilamente. Ao contrario do Inverno, que vai terminar, pouco sabemos sobre o futuro da austeridade!

Mas faz parte do nosso espirito triatletico olhar o futuro de forma positiva. E treinar ajuda! Fazer actividade física ajuda. Somos fieis à ASICS. Animo Sana In Corpo Sano!

Os meus treinos vão bem. Tudo muito tranquilo, sem grandes intensidades. Está na altura dela começar a aparecer. A minha dificuldade é sempre a mesma, manter a consistência. Alterno semanas interessante com outras fraquitas. É um ritual ao qual já estou habituado!

No final de Janeiro participei novamente nos Masters de Inverno de Natação. Competi nos 400m livres e nos 100m estilos. Esta ultima prova, uma novidade completa para mim. Gostei da experiencia. Rápido mas intenso!! Recordo-me de sentir o coração a sair pela boca no estilo de bruços:). Para repetir!

No passado fim de semana comecei a época 2012 no Duatlo da Lezírias. É sempre uma prova especial. Foi a prova que me iniciou na modalidade. Faz 10 anos!

Correu bem. Dentro de esperado. Comecei prudente na primeira corrida. Abordei o ciclismo com algumas cautelas. Procurei ir nas rodas do meu “campeonato”. Uma ou outra vez tentei “subir de divisão”, mas não ia confortável, acabava por não ter sucesso. Foi um segmento de altos e baixos. Tanto ia bem, como no momento seguinte, com a “corda na garganta”. A sensação que tenho é que fui sempre de dentes cerrados A máquina a Diesel aguentou-se e lá cheguei à ultima corrida.

Talvez a mais fácil de sempre. Não que fosse rápido. Nada disso. Ia com ameaças de cambreas e não conseguia acelerar. Ia em contenção, mas muito tranquilo. Sem grande sofrimento. Foi um deixar ir até ao fim!!

Os planos este ano passam por fazer 3 provas de distancia longa entre as quais, se possível, ir ao campeonato do mundo em Espanha. Mas ainda não me apontei e não vou ao Longo de Vila Real Santo António, o que pode comprometer a qualificação. Honestamente, não sinto o focus necessário para abordar a distancia do Campeonato do Mundo. Requer um comprometimento muito grande.

Provavelmente, ainda reflexos da austeridade!

Bons treinos!

Friday, 9 December 2011

Capacidade de Sofrimento

Há pouco tempo atrás estava a ler um artigo sobre a Mark Allen On-line. A empresa de coaching do Mark Allen. Era o resumo de uma entrevista com ele. Onde se abordavam temas diversos. Honestamente, quando comecei a ler a peca jornalística achei que não ia ter grande interesse. Mas enganei-me. O conteúdo era simples, terra a terra e realista. Gostei.

Um dos assuntos que ele abordava era a capacidade de sofrimento dos atletas. Especialmente no Triatlo de longa distância. Quem já fez este tipo de provas, sabe que a determinada altura no segmento de corrida, o corpo começa a dar sinais para abrandar ou mesmo parar. A gestão psicológica destes momentos é decisiva para o desenrolar da prova. É importante manter a mente numa “frame” positiva. Se nos deixamos invadir por pensamentos negativos, rapidamente abrandamos, paramos ou mesmo desistimos. É natural que eles apareçam, mas temos que os contrariar. Gerir o subconsciente!

Por experiencia própria sei o que isso é. Descobri que no meu caso, quando entro nessa “zona” o meu sofrimento tem um comportamento sinusoidal. Vai e vem. De quanto mais dura, maior começa a ser a frequência. Em algumas provas que fiz, depois de terminar, fiquei muitas vezes surpreendido por ter “aguentado”, resistido.

O Mark Allen ganhou no Hawai a 1ª vez após várias tentativas. Segundo ele, faltava-lhe esta capacidade. Só quando a adquiriu alcançou o desejado triunfo. Que voltaria a repetir mais 5 vezes.

Dei por mim a pensar em algumas provas da época 2010/2011. Exemplos são o Triatlo Longo de Lisboa, o Triatlo Longo de Aveiro e o CN de Triatlo em Abrantes. Em todas elas andei bastante no segmento de corrida. Se em Aveiro o sofrimento apareceu muito cedo, já em Lisboa apareceu depois de noutros anos.

É verdade que o meu nível físico não estava como em anos anteriores. Mas a diferença era pequena.

A justificação que encontro é que a minha mente não estava com disponibilidade para sofrer de outros anos. Faltou-me resistência mental. Não estava com espírito lutador. Desconheço as razões. Talvez falta de motivação. A falta de rivalidades ou a falta de ter objectivo concretos. Foi um ano ao sabor do vento.

Se bem que o importante para mim continua a ser participar e terminar. Mais do que qualquer objectivo classificativo. Mas quando te vês nos últimos lugares da classificação, a ser ultrapassado por atletas com menor capacidade, o teu orgulho de alguma forma fica “ferido”.

Tentarei reagir:). A ver se reencontro novamente esta capacidade de sofrimento para a época 2011/2012. Pelo menos nas provas mais importantes.

Bons treinos. Bem equipados que está muito frio!

Espíritos Antiquados - Continuação.

No meu último post "Espíritos Antiquados" falei de paradigmas e de como vivemos agarrados a eles. Mas faltou-me concluir. Faltou fazer a ligação entre isso e o mundo real. Os assuntos do dia-a-dia.

Ocorrem-me dois. Um de âmbito geral e que nos toca a todos. O estado actual da Economia e a forma como e pensada. Não sendo um expert em Economia, tenho algumas noções básicas. Nos últimos tempos, sempre que ouço comentários e analises sobre o estado da mesma, o discurso e sempre o mesmo. Todos lêem os mesmos livros, dizem as mesmas coisas. Tipo pensamento único difundido. Honestamente, a sensação com que fico, e que ninguém sabe como resolver o problema e que os modelos económicos actuais estão desadaptados. Precisamos de alguém que veja para além do paradigma. Que entenda o fundo da questão e apresente novas ideias e novas formas de pensar.

O outro assunto e o treino de atletas. Um tema pelo qual tenho um interesse maior.
A maioria dos treinadores conhece o conteúdo dos livros de referência, conhece os princípios gerais do treino, percebe e sabe aplicar as modelizações e alguns têm as suas próprias filosofias. Mas falham na compreensão de que cada atleta é diferente. Que não há receitas neste tema. Estão pouco focados no objectivo final e mais no processo de treino. Nas % das cargas, nas zonas treino, etc. Alguém dizia que o processo de taper começa do primeiro dia do processo de treino. E termina no dia do objectivo principal. Concordo.
Eu próprio no meu processo de auto treino, tenho dificuldades em “sair” do processo de treino e estar centrado no objectivo final. Ainda hoje não o sei fazer.
A iniquidade de cada atleta adiciona complexidade à função. Torna-a desafiante. Os treinadores devem questionar-se todos os dias se o que se esta a fazer é o correcto. Não estar agarrados a fórmulas. Serem inovadores.

Nunca devemos pensar que já se sabe tudo, que nada mais à para descobrir. O que há por descobrir é muito mais do que o que já foi descoberto. Isto deve estar sempre presente!

Bons treinos!

Saturday, 19 November 2011

Espíritos Antiquados

Há algum tempo que não publico nada neste blog. Tenho pensado em escrever várias coisas mas acabo depois por não concretizar. A ver se é desta.

Ao ler a última publicação Inside Triatlhon vários temas me ocorreram. De entre eles houve um que me fez pensar no tema inovação. Na forma como no nosso dia-a-dia aceitamos o que vimos e ouvimos e tornamos isso na nossa “lei”, nas nossas regras, nos nossos paradigmas. A nossa incapacidade natural para questionarmos as coisas. Se elas realmente são como nos as apresentam. Ir ao fundo da questão.

Estava a ler um artigo de nutrição sobre a Zone Diet. Basicamente é uma dieta onde 40% das calorias vêm dos hidratos, 30% da gordura e 30% da proteína. O consumo de hidratos deve vir maioritariamente das frutas e dos vegetais. As proteínas devem ser magras e a gordura deve enfatizar a ingestão de ácidos gordos W3. A ideia passa por reduzir o nível inflamatório do corpo. Nesse estado, ele maximiza a produção de energia. Nada de grande novidade. Quem já leu algo sobre outras dietas, como a dieta do paleolítico, muitos dos conceitos são idênticos.

Mas o ponto é que esta dieta foi sugerida por um medico americano no inicio dos anos 90. Nessa altura, assustados pelo aumento de pessoas obesas na sociedade, o trend das dietas era no sentido de a maioria das calorias vir dos hidratos e uma acérrima guerra contra as gorduras. E no que a atletas de resistência se refere, o enfoque nos hidratos ainda era maior.

Mas começavam a surgir os primeiros indicadores que talvez esta obesidade fosse tb provocada pelo consumo de hidratos em exagero. Quando a Zone Diet foi sugerida, foi severamente rejeitada pela sociedade médica estabelecida e o medico classificado como mais um charlatão da nutrição. Classificação que lhe foi atribuída por muitos colegas de profissão considerados “iluminados”

Ora é aqui que entram os nossos paradigmas e a nossa incapacidade de questionar as coisas a fundo.

Pode-se sempre dizer, que há interesses estabelecidos, etc., etc., mas acima de tudo, a meu ver, o nosso cérebro fica preso a determinados conceitos, e não se consegue libertar deles.

A verdade é que a Zone Diet hoje tem uma aceitação boa. Muitos dos seus princípios são suportados pela investigação científica. Os iluminados afinal não eram assim tão iluminados.

A mensagem subjacente a esta história é que isto nos sucede todos os dias sem nos apercebermos. Esta incapacidade impede-nos de evoluímos em muitos aspectos. Acomodamo-nos. Afinal de contas o ser humano é um animal de hábitos. Mas podemos treinar esta nossa faceta. O 1º passo é ter isto ser presente.

Gosto sempre de recorrer a um exemplo engraçado. Experimentem perante uma audiência escrever num quadro a palavra YES. Seguidamente peçam às pessoas para lerem esta palavra, mas como se ela começa-se por E. Vão ver a quantidade de disparates que vão ouvir. No momento em que colocarmos o E no quadro e a palavra ficar EYES, todos vão ler correctamente EYES (olhos em Inglês)!

Foi necessário colocar o E para que o nosso cérebro percebesse qual era a palavra. Sem estar explicito estávamos “perdidos”:)

Bons treinos. Sem muita chuva e muito vento!