Tuesday, 5 October 2021

Triatlo de Setubal 2021

 


No ultimo Domingo, voltei a participar numa prova de Triatlo longo.

Foi em Setúbal, na 5ª edição do #setubaltriatlhon, disputado na distancia Half Iron Man. Prova onde ainda sou totalista de participações. Foi uma prova de sensações variadas. 

Ciente que provas depois do período de férias nunca são as ideias de preparar, encarei a minha participação de forma tranquila e sem objectivos competitivos. A preparação especifica, se isso se pode chamar, consistiu num bloco de 3 semanas onde procurei colocar um pouco mais de volume de corrida e voltar à consistência na natação. O suficiente para encarar a prova com a certeza que com contenção e juízo a coisa fazia-se bem.

E de certa forma assim foi. O plano passava por nadar de forma mais agressiva, ir contido na bicicleta e correr o suficiente por forma a não acabar muito destruído.

Plano esse que foi cumprido no segmento de natação. Mas depois…

Chovia, o piso estava molhado e estava algum vento. Nada de novo para quem tinha feito a prova no ano anterior. Tendo em conta que era para ir tranquilo na bicicleta e a minha inabilidade técnica, a ideia era não correr riscos. A 1ª metade do segmento foi realizada de forma muito cautelosa. Diria mesmo, medrosa!! Não ia a desfrutar.

As sensações tb nunca foram as melhores. Felizmente a chuva parou e o piso começou a secar. Depois do retorno da Mitrena, aproximadamente aos 50km do segmento, comecei a sentir-me mais confortável com o percurso e a segunda passagem pela serra da Arrábida foi bem mais positiva.

Chegava a corrida. A gestão é sempre a mesma. Procurar fazer a 1ª metade do segmento á defesa, deixar o corpo entrar no ritmo e se as sensações forem razoáveis procurar terminar ligeiramente mais rápido. Mas tal não foi possível. Do ponto de vista geral ia bem, mas muscularmente ia mais destruído do que queria. Acabei por ter que cerrar os dentes para conseguir manter o ritmo até final.

A pronto, estava terminada mais uma edição da prova dentro de uma performance aceitável!

5h12’.

108 da geral, 12º no escalão 50-54.

Mas este ano admito que as emoções pós prova não foram as mais positivas. Provavelmente por ter terminado mais destruído do que queria, aquela 1ª parte do segmento de ciclismo deixou-me uma menos boa sensação. E nada tem a ver com o percurso, mas sim com o estado piso em vários locais agravado pelo chuva e pelo vento.  

Mas há-que pensar no que de positivo a prova teve, e tirar a satisfação desses momentos. E foram muitos:

Desde ter tido uma super claque, liderada pela minha filha Catarina e pela Paula, passando pelos meus companheiros de treino (aquela energia vocal do Valdo é do best e até mesmo o “deita abaixo” do Canino gostei de ver e ouvir)  e de clube (a Madalena, a Marta, a Cláudia) e por inúmeras pessoas conhecidas e desconhecias que são incensáveis a aplaudir o nome “Peter Pan”.

O ter terminado a prova com a minha filha Catarina. Já o referi num post anterior. Foi um momento curto, mas que sentes muitas coisas. A tua mente viaja anos, passa por memorias, e fica uma sensação reconfortante única.

O ter partido ao lado do Hugo Gomes, os dois em filas diferentes, mas lado a lado. Não podíamos ter organizado a coisa melhor. Mais um momento que não exprimes, mas sentes diferente! Fica no pensamento.

O assistir à progressão de vários atletas do 3B. A prova do Sérgio, que daquilo que me recordo, talvez a mais bem conseguida e equilibrada. Fica ainda a sensação que podes correr melhor. 

E o que dizer do Rúben. Excelente prova e ambos sabemos que essa natação e esse ciclismo ainda podem melhorar consideravelmente. Continua a trabalhar, tem paciência e boas coisas vão acontecer no futuro.

E o que dizer do Bruno!!. Sacrificou a prova dele (e apanhar-me) para ajudar o Márcio num momento em que este ia a passar uma fase menos boa. Puxou-o uma volta completa, claramente imprimindo um ritmo que sabia que ia pagar carro mais para a frente. As provas não são só o resultado final, para mim és o grande vencedor!!

Uma palavra tb para o Hugo, mesmo não estando em forma, mesmo com problemas mecânicos, mostras que claramente o teu lugar é bem mais à frente, sub 5h claramente. A coisa vai acontecer.

O Carlos, aquele teu sorriso de galgo na corrida é um hino à alegria. Ver-te passar a cada volta era uma emoção!!

Ao Gabriel, um lutador incansável. Apesar dos problemas físicos com que te tens deparado esta época, não deixas de marcar presença. Sempre naquele teu estilo aluado, que vem de outro planeta!!! Mereces o prémio da combatividade.

Por fim, ao Pedro Alves, para o qual a prova foi um improviso na sua planificação para Cascais, mas não deixou de ir à luta e levar um valente empeno!!

Fica o sabor amargo de não termos tido nenhuma mulher em prova e a esperança de ver um dia o nome 3B na classificação colectiva feminina.

Uma palavra singular para o Márcio Neves. És o exemplo que ter genética física não é suficiente para ser atleta de alta performance. Há-que aliar a isso uma capacidade mental forte. A capacidade de estar focado, o verdadeiro comprometimento com a performance. Sabendo nós que isso cada vez é mais intrusivo numa vida familiar.

Parabéns pelo resultado e parabéns pela atitude. És o orgulho do grupeto!

 Fica tb uma nota para a organização e para o Hugo Sousa. Mais uma vez, parabéns. Excelente organização. Só precisas mandar tirar as lombas da Luísa Tody e mandar asfaltar o troço até á Mitrena 😊

Ainda não sei se voltarei em 2022, as emoções vão decidir. Agora é recuperar! 

 

Saturday, 10 July 2021

Consistencia e keep it simple!

 

Os que me conhecem sabem que nestas coisas dos desportos de resistência, apregoou-o a viva voz que a consistência e a paciência são a base.

Sou tb um adepto do “keep it simple”. Raras vezes uso um “gadjet” durante o treino, a não ser um relógio para ver o tempo de treino e o pace/velocidade a que vou. Não que tenha algo contra os gadgets, mas analisar sistemas com muitas variáveis, só causa confusão e retira o focus no que realmente é importante. Embora tb ache que alguns gadgets abusam da pseudo ciência.

Quer isso dizer que não monitorizo o treino? Não, mas faço-o de uma forma muito simples.

Limito-me a registar no Strava a taxa de percepção de esforço de cada sessão. De 1 a 10.  Em que 1 é muito fácil e 10 esforço máximo. Abaixo um exemplo.

Não é um método exacto, existe alguma subjectividade, mas se houver consistência na atribuição da taxa, a informação é útil. Há que tentar ser honesto e “justo” nesta avaliação.

Com essa informação o Strava calcula a carga da sessão e vai calculando os valores de Fitness & Freshness. Que na pratica não são mais que indicadores do tipo ATL (Acute Training Load (a Fadiga)) e CTL (Chronique Training Load (o Fitness)) que já expliquei em textos anteriores.

Abaixo mostro as minhas “curvas” dos últimos 3 meses.

Desconheço os algoritmos que o Strava usa para calcular estes indicadores, mas isso não é relevante. O importante é o algoritmo ser sempre o mesmo. Não perco muito tempo a olhar para estes gráficos (embora devesse), mas às vezes eles até dizem alguma coisa.  

É importante tb entender que estes algoritmos se baseiam em estatísticas. Como em media, uma pessoa reage às cargas. Não somos todos iguais e em certa medida o algoritmo pode não representar o comportamento de um certo individuo. Há-que cruzar estes dados com indicadores pessoais, como a qualidade de sono, a irritabilidade, as sensações, etc.

É fácil entender que a “Forma” varia na direção oposta da “Fadiga”. Recomecei a nadar em Abril, e o gráfico da fadiga não engana. O corpo acusou a carga da natação (subida do indicador fitness). Demorou até que a “Forma” começasse a subir. Os pontos a vermelho são as provas onde participei. Triatlo do Cercal, Oeiras e Triman, por essa ordem temporal.

Interessante ver que no dia do Triman a curva da forma estava no seu valor máximo. Explicável por ter aliviado o treino 1 semana, algo que não sucedeu nas outras provas. Facilmente visível nos gráficos. No entanto, para mim, o mais fundamental é a consistência do valor do “Fitness”, que é o que mede o volume/carga de treino ao longo do tempo. É esta consistência que considero fundamental.

Semana após semana. Mesmo na semana do Triman, esse valor esteve estável. Na realidade, o que fiz, foi fazer uma semana com volumes típicos contabilizando o dia da prova. Nessa semana não fiz mais nem menos que nas outras. Fiz foi muito mais numa única sessão. Que o gráfico debaixo facilmente demonstra.

Gosto sempre de recordar historias da vida real. Lembro-me de ter participado numa discussão onde alguém dizia que o Vasco Vilaça como estava a treinar na Suécia, tinha acesso a “alta tecnologia” e isso ia ser fundamental para evoluir. Depois do sucesso que ele teve o ano passado, o treinador dele deu uma entrevista em que simplesmente dizia que a maior razão do sucesso dele foi ter conseguido fazer uns bons blocos de treino com consistência durante a pandemia.

Temos alguns bons exemplos de treinadores nacionais que conseguiram criar as condições para os atletas evoluírem. Cito como exemplo, o Paulo Antunes. E os resultados estão á vista. Não é preciso ir para a Suécia 😊

Outro excelente exemplo é o Paulo Sousa e a sua “esquadra” de Triatlo. O seu enorme talento e profissionalismo para criar um grupo de treino onde se respira uma filosofia de alta performance, levou a que tenha conseguido qualificar para os jogos Olímpicos 7 atletas da sua esquadra.

E ele é um grande defensor da consistência e do keep it simple.

As ferramentas sem a atitude, não servem para nada. Primeiro sejam consistentes e pacientes, só depois façam uso dos gadgets 😊 Mas não exagerem, KISS!! 

Thursday, 1 July 2021

Northwesttriman - Um Triatlo de Distancia Longa diferente

 


O que se segue é um texto longo. Resume as minhas emoções e recordações quando revejo mentalmente o momento.

No passado Domingo voltei a participar num Triatlo de Distancia Longa, na famosa distancia celebrizada pela marca “Iron Man”, 3.8km a nadar, 180km a pedalar e 42km a correr.

Foi a minha 4ª participação neste desafio, todas elas no mesmo local. No Northwest Triman na pequena cidade de “As Puentes” no norte da Galiza.

Foi uma participação diferente de todas as outras. Depois da ultima participação em 2019, tinha decidido fazer uma pausa de uns anos nestas distancias. Fazer estas provas em modo competitivo, obriga a muitas horas de dedicação. Muita entropia numa vida já de si atarefada.

 O antes:

Mas no ultimo dia das inscrições para 2020, a pedido da família, inscrevi-me. Só assim faria sentido voltar a participar. Tinha que vir deles. A vontade tb tinha que ser deles.

Depois veio a pandemia e 2020 não aconteceu. E entretanto a pandemia entrou por dentro de 2021 e convenci-me que a prova ia ser adiada para o final do ano. Mas não foi 😊

Confrontado com o não adiamento e tendo em conta que em 2021 o meu treino tem sido virado para as distancias curtas, vi-me assaltado por algumas duvidas. Não vou? Tento mudar a inscrição para a média distancia? O que fazer?

Empurrado pela família, decidi deixar estar, tentar encarar a prova de forma diferente. De uma forma relaxada e tranquila, sem pressões competitivas. Sinto-me bem fisicamente e de saúde, a base e a consistência do treino está no corpo, sentia-me confiante para os segmentos de natação e ciclismo. Tinha consciência que me faltava o volume na corrida. A única o forma de conseguir fazer a corrida (e era só um pensamento incerto), e em modo de sobrevivência, era tentar chegar o mais imaculado possível a este segmento. Teria que nadar, e em especial pedalar, muito defensivamente. Esperar que as condições do dia não estivessem muito agressivas, alimentar-me bem e ver o que conseguia fazer na corrida. Queria pelo menos correr 20km continuamente.

Apesar de ir sem objectivos, não queria demorar mais de 12h, para ainda ir jantar com a família a tempo e horas. Além do mais, dias antes da prova, apercebi-me que tb havia um Portugal Bélgica para ver. 12h era razoável.

A minha preparação especifica constou num bloco de 2 semanas em que procurei fazer mais de 60km/semana. A corrida mais longa foi de 20km. Curto, mas deu para perceber que até ai iria bem.

Adoro o local da prova. Já criei laços com o mesmo e com algumas pessoas. Este ano tudo correu muito bem. A viagem, o rever as pessoas, o desfrutar da Galiza e da própria localidade. O descanso nunca é o ideal, mas faz parte. Há-que encontrar o balanço. Afinal ia passar uns dias de férias e pelo meio tinha um Iron Man para fazer.

A previsão do tempo para o dia não era animadora. Apesar de Sábado ter estado um dia agradável, o esperado para Domingo era a vinda da chuva e uma baixa significativa da temperatura. 15 graus de máxima. Tentando ver o copo meio cheio, o estar fresco ia ajudar na corrida, onde a dureza começa a sério.

Este ano, devido á pandemia, a corrida era realizada junto ao lago, num percurso praticamente todo em terra batida. Na mesma 4 voltas de 10.5km, que tal como no percurso dentro da cidade, um falso plano. Ganhávamos em beleza da vista, perdias no apoio e no calor humano (embora não tenha sido bem assim).

 Por dentro:

A prova este ano começava mais tarde de forma a evitar o que sucedeu em 2019. A neblina matinal obrigou ao cancelamento do segmento de natação. E para evitar ajuntamentos na corrida, a prova de Media Distancia começava 1º.  8h. A longa distancia às 8h30’. Os atletas da LD só poderiam entrar na box às 7h45’.

Isso fez com que acordasse a horas normais, sem stresses. Eram 7h estava a tomar o pequeno almoço tranquilamente só. A família queria dormir 😊 O hotel onde fiquei é a 2 km do lago. Decidi caminhar tranquilamente até lá. Era o meu momento zen solitário da manha. Ainda me ofereceram boleia, que prontamente recusei. Queria aquele momento para mim.

O meu único receio, dado o trauma de 2019, era que estivesse de novo neblina no lago. Vinha para fazer um Triatlo, não um Duatlo Longo. Duvidas que rapidamente se dissiparam quando cheguei ao lago! Nada de neblinas matinais!!!!

Dentro da Box foi tudo tranquilo. A partida da natação foi em rolling start, 2 atletas de 5 em 5’. Tudo funcionou com uma precisão incrível. De forma ordeira. Lá parti. Agua algo fria. Mas era para ir indo, no relax. Sem bater pernas, relaxado, sem grande esforço. Por volta dos 3km comecei a sentir frio, talvez por ir demasiado relaxado. Frio que se apoderou de mim na T1. Estavam 12 graus e eu tremia que nem varas 😊

Sabia que ia estar fresco, por isso levei por cima do tri suit um colete sem mangas. Ajudava tb na alimentação. Podia levar toda a alimentação comigo. Isso era importante. Arrependi-me de não ter ido mais tapado, demorei a aquecer, e sempre que chovia, voltava a arrefecer. Numa prova em que precisas de conservar energia e queres ir o mais confortável possível, não era bom.

Mais uma vez, o relógio apenas serviu para ver as horas e por ai estimar grosso modo os ritmos. A 1ª vez que olhei para ele foi quando comecei o segmento de ciclismo. E percebi que o tempo na natação foi uns 10’ a mais do que esperava. Mesmo indo no relax. Ainda não consigo explicar o sucedido. Em anos anteriores, nadei da mesma forma, e fiz menos 10’. Penso que terá sido um misto de ainda ter nadado mais lento, da agua estar algo choppy devido ao vento, e de o percurso ter na realidade mais de 4km. Em geral todos os tempos da natação foram altos.

O segmento de ciclismo foi em modo para arranca sem forçar nada. A ideia de chegar imaculado á corrida prevalecia. Parei certamente umas 15 vezes. 7 ou 8 para urinar (um fenómeno que já me sucedera em 2016 e que atribuo ao ir com frio), mais duas por cada volta. Uma para tirar fotos com a família e outra para reabastecer de líquidos. O regulamento este ano obrigava a paragem total nos reabastecimentos de ciclismo. Havia mesas self service. Os voluntários apenas diziam o que estava dentro dos bidons, mas não os podiam dar.  

As paragens tb serviam para avaliar o estado das pernas. E os sinais eram positivos. Fui sempre bastante confortável até aos 120k. A partir dai comecei a sentir desconforto na zona lombar e na zona do selim. Mas fisicamente ia bem, e isso era o mais importante. A alimentação e hidratação ia certinha!

Cheguei tranquilo à corrida, como pretendido. Fiz uma T2 pausada, estiquei-me um pouco e segui para o segmento. Os 1os km são sempre estranhos. O corpo precisa de encontrar o seu ritmo. Mas após o 5º km comecei a ter boas sensações. Não sabia a que ritmo ia. Claramente lento, mas não a passo de caracol 😊 Nesse momento podia claramente ter imprimido um ritmo diferente. Mas contive-me. Era muito cedo, e sabia que muscularmente não estava preparado para os 42km.  Parei novamente 1 x volta para urinar e nos reabastecimentos de 5 em 5km. Alimentava-me, hidratava-me e seguia. A única parte do percurso que não fazia a correr era a rampa dos 19% de inclinação.

Com o passar dos km, as pernas iam mostrando sinais de desgaste. Começavam a ficar pesadas, mas a meta tb estava mais próxima. Era procurar não ver o todo. O objectivo era correr até ao próximo reabastecimento. Depois desse, até ao seguinte. E assim foi, sempre certinho no ritmo.

Quando passei os 20km , as minhas expectativas já estavam cumpridas. Tudo o que viesse agora, já era ganho. O meu focus passou a ser terminar abaixo das 12h. Tens sempre que te “agarrar” a algo. E assim lá consegui correr os 42km sem caminhar!!!

Os meus receios de falta de apoio no segmento de corrida, não se confirmaram. Não faltou público a incentivar e mesmo quando não havia, lá estavam os incensáveis voluntários. Tremendo.

E assim terminei o meu 4º Triman. 11h49’, dentro do objectivo! Mais 50’ do que fiz em 2016. Obviamente que com condições diferentes, mas acima de tudo, uma atitude e idade diferentes. Nesse dia ia para o melhor possível. Mas este tb foi aquele em que sofri menos, em que partilhei mais o momento com a família, o que me deixa uma boa sensação imediata. Talvez até a vontade de voltar a fazer um em modo mais competitivo 😊. Algo que já estava fora dos planos. A ponderar.

 O depois:

Agora é descansar e voltar ás rotinas e às provas curtas!

Muitos foram os que me ajudaram nesta jornada. A todos eles um agradecimento de coração e embora nestas coisas já seja um lugar comum, um agradecimento especial à família. Não só pelo apoio durante toda a jornada, mas por suportarem toda a preparação para esta aventura. Este dias ficaram no coração. Vão perdurar para sempre.

E como sempre digo, não é pelas horas que passo a treinar, mas sim pelas horas em que estou cansado e não estou 100% disponível mentalmente como deveria estar. Já não falando dos planos por vezes adiados devido à logística dos treinos.

Bons treinos!

Saturday, 8 May 2021

Triatlo do Cercal do Alentejo, uma boa surpresa

 


No passado Domingo regressaram as provas de competições de Triatlo. Foi em Cercal do Alentejo, prova disputada na distancia Sprint (750m, 20km, 5km). Curiosamente, no formato drafting, algo que tinha sido abandonado em 2020 devido á pandemia. Era a minha estrei como cinquentão, no escalão V3!

Apesar de ter estado sem nadar durante o 2º confinamento, há 4 semanas que já tinha regressado à piscina e por isso sentia-me preparado para o desafio. Como sempre digo, gosto de fazer Triatlos, sejam curtos ou longos. Se bem que nada no Triatlo seja verdadeiramente curto 😊

O dia estava excelente para a pratica da modalidade. O local e o percurso foram uma agradável surpresa. Ia á descoberta. Não conhecia o local da prova. Mas tive apenas oportunidade de percorrer de carro o segmento de ciclismo quando me dirigia para a partida. E deu para perceber que o Alentejo não é plano. Ia ser duro. Muita subidas curtas, raras vezes plano, exigente.

Gosto assim! Como ouvi alguém dizer, é um percurso justo. Recompensa os verdadeiros Triatletas, tens que estar bem e ter capacidade nos 3 segmentos. O que eu não imaginava era o que me esperava no segmento de corrida 😊

Estávamos de regresso às partidas únicas dentro de agua (as ultimas provas tinham sido rolling start). A linha de partida era suficientemente larga para evitar grandes confusões. O facto do numero de atletas não ser muito elevado tb ajudava.

As partidas na natação são sempre confusas, mas neste caso, a distancia à 1ª boia era grande, o que permitiu espaçar os atletas e reduzir a confusão.

Acabei por fazer um segmento razoável, a mostrar que os treinos com o grupo do CNSM estão a dar frutos. Consegui regressar a um nível onde já não estava há pelo menos um par de anos.

Abordei o ciclismo de forma prudente. Tenho falta de treino de grande intensidade e mudanças constantes de ritmo. Sabia que os 1ºs 5km do percurso eram complicados. Não podia entrar em loucuras. Era a estrada de acesso da barragem à estrada nacional entre Alvalade e o Cercal. 

Consegui inserir-me num grupo de 4 elementos e sobreviver até chegar á estrada. A partir dai o percurso, apesar de não ser plano, era mais fácil de gerir. Procurei ajudar o que pude, passando pela frente algumas vezes. Não deixando arrefecer muito o andamento. Foi o grupo certo. A ser mais forte, teria sido um sofrimento constante 😊

Chegava a corrida. Por sorte começava a descer😊. Mas tudo o que sobe desce e não desapontou. Muitas subidas. Para todos os gostos. Curtas e longas. Bem durinho. Mas lá me defendi da melhor forma que consegui e geri bem este esforço final.

Obviamente satisfeito com a prestação, agradavelmente surpreendido pelo local e pelo percurso,  mas acima de tudo por poder voltar a estas lides competitivas!!!

Agora venha o Triatlo de Oeiras!! A loucura da velhada!!  😊

Tuesday, 27 October 2020

Triatlo de Setubal, o "cabo das Tormentas":)

 


Decorreu no passado Domingo a 4ª Edição do Triatlo de Setúbal, prova da qual sou totalista.

A boa notícia é que continuo a ser totalista, a menos boa é que não foi nada fácil conseguir o feito 😊

Sabia que estava prevista uma “pequena” tempestade para a hora da prova. Em particular durante o segmento de ciclismo. E infelizmente a previsão desta vez não falhou.

O vento sul já se fazia sentir logo pela manhã, embora não estivesse a chover. Como resultado, o mar apresentava alguma marola, típica dos dias de vento. Nada que eu não goste ou me assuste, mas entendo que para muitos que experimentam estas andanças, pode fazer com que o percurso de ciclismo seja intransponível. Por esse motivo o segmento de natação foi encurtado para aproximadamente 1000m.

Como sempre, não usei relógio, nada de gadgets, 100% sensações.

A natação correu bem. A agua estava fresca e o mar picado, senti-me normal e procurei navegar bem. Servia de aquecimento!!!

Rapidamente chegava o segmento de ciclismo e começava a “tormenta”. Tinha chovido durante o período da natação Os piso estava molhado e o vento já estava muito forte. O percurso, especialmente dentro de Setúbal, tem algumas curvas a 90%, lombas, zonas de calçada portuguesa. Para alguém como eu que não prima pela perícia na bicicleta, ainda por cima com a bicicleta de TT, todos os cuidados eram poucos. A probabilidade de cair era muito grande. Todo percurso dentro de Setúbal e as descidas da serra da Arrábida foi feito apenas com uma preocupação, não cair! Felizmente, na segunda passagem pela Serra, o piso estava mais seco, o que ajudou psicologicamente!!!

Mas a tormenta a serio estava para vir. Pelos 45km, comecei a sentir desconforto da ancas e na zona lombar. Algo que já tinha sucedido em Caminha. Embora tenha elevado ligeiramente a posição, não resolveu. Nessa altura foi necessário pedalar contra vento debaixo de chuva forte. Quebrei psicologicamente. O desconforto ia a “matar-me”. Desconfortável, debaixo de um temporal, ainda a meio do percurso, a cabeça começou a querer ir para casa e por os pés á lareira.

Para não ajudar, o facto de ir concentrado na segurança, fez com que tivesse descuidado a alimentação. Comecei a alimentar-me muito tarde. Numa prova onde vais a gastar mais energia que o normal devido ás condições, não era o ideial.

Mas desistir nunca é opção. Tentei gerir a prova por partes, blocos de 10 em 10km. Mas perdi focus, momento, reduzi o ritmo. Nunca me senti numa posição de atacar a prova. Só queria que aquilo acabasse!! Por os pés no chão. A serra estar mais seca na ultima passagem ajudou e muito!!!

E finalmente terminou!! Vendo os parciais depois da prova, até fiquei agradavelmente surpreendido, o tempo do segmento até foi aceitável, não comprometeu!

A corrida foi lenta como sempre, mas bem gerida. As pernas iam pesadas, moídas. Nunca senti que pudesse arriscar um ritmo mais rápido. Adotei o meu ritmo de sobrevivência. Aquele que me permitia desfrutar e acreditar que o podia manter durante os 21km! E assim foi, sem quebras e ainda deu para me “soltar” um pouco nos últimos quilómetros.

Estava feito. E até bem feito tendo em conta as condições

Em anos anteriores já obtive melhores classificações com prestações menos boas. O nível global e dos “velhotes” tem vindo a crescer!!

Saliento ainda a participação massiva do Clube, com varias prestações individuas de relevo! O 5º lugar por equipas não deixa duvidas!!! Num ano difícil para a união e para o associativismo desportivo, acabar assim é reconfortante.

E para que esta prova fique ainda mais na memoria, o apoio exterior tocou-me.

Desde os elementos do próprio clube que estavam a assistir, ao ouvir chamar o meu nome por pessoas conhecidas que no momento nem identificas quem são, ao ouvir chamar Peter Pan por pessoas que nem conheço, no ternurento e único megafone do manos Neves que me faziam rir a cada passagem mesmo com a chuva a cair-lhes na careca e a terminar na grande surpresa de ter a presença durante a corrida da minha mulher e do meu filho Joaquim  (que dadas as condições, não esperava que sucedesse). São pequenos momentos de gratidão que ficam e que guardarei para sempre recordar.

Agora é recuperar, manter a motivação e talvez volte no próximo ano. Afinal tenho que defender o meu estatuto de totalista!!!

Saudações desportivas!

Tuesday, 21 July 2020

O regresso do Triatlo pós confinamento.




No passado Sábado voltei a participar num Triatlo.

E sem duvida que foi bom voltar a sentir o ambiente, voltar a competir.
Mas não é sobre a minha prestação competitiva nem sobre o calor que esteve que vou escrever.
O objetivo é partilhar a minha experiencia tendo em conta as regras a que a pandemia obriga.

Saliento que nunca fui um defensor de grandes confinamentos, sempre tentei fazer uma vida o mais normal dentro do possível e o meu entendimento é que o vírus continuará a circular, de forma controlada, havendo sempre um risco de contagio presente. Há-que encontrar o balanço certo entre voltar á normalidade e minimizar este risco. Sou tb crente que a propagação do vírus ao ar livre é muito baixa comparada com espaços interiores. Nunca pensei em deixar de participar devido á pandemia.

Provavelmente o maior risco de contágio não é nos preparativos e durante a prova, mas sim na partilha comum de espaços interiores como cafés de restaurantes.
O objetivo das novas regras é mesmo esse, minimizar o risco de contagio. E tirando um único momento, as regras funcionam. As maiores concentrações de atletas/pessoas, não é dentro do Parque de Transição, nem no decorrer da prova (todas as provas são non draft) mas sim nos locais de check in, partida da natação e check out.

No check in, o haver vagas ajuda a dispersar, a não se criarem filas enormes. Mas elas existem e de modo geral todos os atletas estavam de mascara e a cumprir o distanciamento social.
O mesmo sucedeu no check out.
O único momento onde o distanciamento não existiu foi na partida. Sendo a partida rolling start, 4 atletas de cada vez separados por 20’’, não havendo lista de saída, tendo em conta que a rampa de acesso á agua estava a ferver, os atletas acabaram por estar concentrados á espera da sua vez para começar.

Mas honestamente, no meu caso, até foi bom sentir o calor humano da partida. Acredito que a federação esteja atenta e vá procurar corrigir esta situação. Foi a 1ª prova a “sério”, serve para aprender, mas vejo com otimismo a continuação de eventos deste tipo com este nível de participação.
A sua realização parece-me de baixo risco de contágio e tenho que dar os parabéns á FTP por lutar que a modalidade volte á normalidade.

Incentivo todos a participarem sem receio e cumprindo as regras básicas. Mesmo que se anda a nadar muito pouco, só pelo prazer de participar, vale a pena!
Um abraço especial ao Bruno Silva. Somos dois dinossauros nestas coisas, mas é de salutar sentir que o teu espirito nunca muda. Teremos muitas mais pela frente!

Saudações desportivas.

Monday, 4 May 2020

Consistência explicada de forma “mais cientifica”



Algum de vocês já terão lido algures as siglas ATL e CTL.

A 1ª significa “Acute Training Load” que pode tb ser referida como Fatigue (fadiga) associada ao treino. Normalmente medida no período de uma semana.

A 2ª significa “Chronique Triaining Load” e mede o acumulado do ACT durante um maior período de tempo. Pode ser 4, 8, 12 ou mais semanas.

Tipicamente o CTL é associado com um indice de Fitness (Forma). A ideia por trás, é que quanto maior for a carga de treino num determinado período temporal, melhor será a forma. O indice de forma será uma média ponderada do ACT onde as sessões mais recentes contribuem mais que as outras. I,é, se considerar o CTL dos últimos 3 meses, a forma está mais relacionada com o ATL das semanas mais recentes do daquelas de há 2 meses.

Confuso? Talvez.
Útil? Penso que sim. Utilizado adequadamente, bastante.
Porque insisto que a consistência é importante?

Facilmente podem perceber que um ACL consistente semana após semana contribui para um maior CTL e Fitness. Mas mais importante que isso, existe uma correlação entre ATL, CTL e lesões.
Vejamos o CTL num período de 4 semanas. Se as semanas tiverem todas o mesmo ATL, então cada uma contribui com 25% para o CTL. Ora imaginem que não treinam uma semana, ou que numa determinada semana tiveram um ATL o dobro das outras semanas. Na 1ª opção, havia uma semana com uma contribuição de 0% e 3 com 33%. No segundo cenário, a semana mais “pesada” iria certamente ter uma contribuição acima dos 30% para o ATL.

Valores % elevados estão correlacionados com lesões. O paradoxo, é que pela mesma logica, quanto mais treinas consistentemente num acumulado de longo prazo, menor é probabilidade de te lesionares.

Resumindo, ser consistente é a forma de maximizar a forma com a menor probabilidade de lesões
Perguntam vocês, e como se mede o CTL e o ATL?
Tentarei responder num próximo artigo

Bons treinos.