Thursday, 30 December 2010

Época de Triatlo 2011



Faz 15 dias que foi publicado o calendário da FTP. Sem dúvida interessante. Provas para todos os gostos. Curtas, Olímpicos, X-Terra, Longos e até um Iron Man (IM)! Embora, a experiencia passada me diga que várias alterações vão suceder ao longo do ano. Algumas das mesmas surgem como ainda por confirmar. Caso do IM.

A minha prioridade vai ser as provas longas. Distancia “Half Iron Man” (HIM). Não que o meu volume de treino seja adequado às mesmas. Enquadra-se melhor nas distâncias olímpicas. Mas o desafio individual destas provas é a minha motivação actual.

O plano passa por fazer 3 provas de distância longa HIM. Começar na de Lisboa, fazer Aveiro e escolher uma outra.

Gostei da experiencia do X-Terra no ano passado. Gostaria de a repetir. Está no “radar”. O IM em Outubro no Algarve, a confirmar-se, é igualmente tentador. Mas não quero traçar aqui nenhum objectivo em relação á prova. Logo se vê.

Gostava igualmente de fazer uma prova fora de Portugal. Um 70.3 ou ir a Londres fazer a prova dos “Age Groups” do circuito ITU. Mas não creio que o consiga. Seria demasiado optimista da minha parte acreditar que é fazível.

Não quer isto dizer que não vá fazendo outras provas. Claro que sim. Um pouco ao “sabor do vento”

O treino, i.e., se assim se pode chamar, vai indo. Sem rigor. Mas isso é normal nesta altura. Espero reencontrar a motivação em Janeiro para lhe dar alguma consistência.

Um bom ano de 2011!

Sunday, 19 December 2010

1º Objectivo Falhado!

Nem começou a época, jé falhei o primeiro objectivo:( Queria chegar a Janeiro com 80kg. Precisava apenas de perder 2kg em 2 meses. Mas nem 1g perdi, alias...ganhei algum peso! Muita falta de focus. O treino anda fraco. Não consigo fazer blocos de treino com consistencia. Algo sucede sempre em cada semana. Mas acima de tudo, muita falta de "comitment".

Todas as razões são boas para falhar um treino!

A prova disso foi a S.Silvestre da Arruda dos vinhos. Ontem. 8km num sobe e desce repartido por 3 voltas. Parti normal mas aos 3km as pernas comecaram a arder. Demorei 2km até ajustar o ritmo. No final um tempo fracote e um ritmo cardiaco medio miseravel.

Valeu o facto de ter voltado a competir!

Esta semana vou rumar ao Minho para passar o Natal. Que por norma e bem comido:). Espera-me frio e chuva. Mas levo a bicicleta de BTT. Espero conseguir matar saudades de uns trilhos naquela zona.

Esperemos por 2011.

Bons treinos!

Thursday, 9 December 2010

Valor acrescentado. Pequenas dicas

Em todas as modalidades do Triatlo a técnica de execução dos movimentos é importante. No entanto, na natação, onde o meio é diferente, ainda se torna mais relevante. Um atleta com um razoável motor aeróbio recem chegado à modalidade, rapidamente se torna forte nos segmentos de Ciclismo e Atletismo. Mas na natação nem sempre é assim. Muitos andam a anos e anos à procura de atingir um nível razoável na natação. E a sua sina é fazer as provas de trás para a frente. Muitas vezes, a fazer de carruagem do ciclismo!

Não é o meu caso. Eu sou relativamente equilibrado nas três modalidades. Mas não porque nade alguma coisa de especial, mas sim porque não tenho esse razoável motor aeróbio Sou sempre daqueles que tenta ir nas carruagens!

Aprendi a nadar aos 6 anos. Com o meu pai no Verão na Ria de Aveiro. Ainda me recordo de alguns desses momentos. Como ser largado do barco a remos a 20m da margem e ter que me desenrascar:)

Pratiquei natação entre os 13 e os 15 anos. 3 Sessões por semana. Foi nessa altura que aprendi algumas noções de técnica. Até ai era tudo natural. Tudo inventado.

Mais tarde, quando já praticava Triatlo, tomei conhecimento com a filosofia da “Total Immersion”. Comprei os livros e o DVD e decidi investir em alterar a minha técnica do estilo livre. Passei um Inverno a fazer “drills”. Digamos que até com algum sucesso. Mas apenas nos drills. Porque no que se refere a montar as peças e nadar TI, não. Isso nunca o consegui.

Há um ano a esta parte tenho nadado inserido num grupo orientado pelo João Gloria da Nadarbem. Um dos meus (muitos) problemas técnicos tem a ver com a rotação do meu corpo para o lado direito. Devido a maus hábitos adquiridos, paro o movimento corporal antes de rodar para a direita. Perdendo tempo e potencia na rotação. Nado a dois tempos. Permaneço mais do lado esquerdo que do direito.

Fui tentando alguns remédios para o problema. Mas já a época ia avançada e a minha disponibilidade temporal para investir na correcção não era a ideal. E continua a não ser.

Há cerca de um mês, o João voltou à carga sobre este assunto. Pediu-me para nadar com os braços esticados. Fazer a recuperação do braço com ele esticado. Tipo Vanessa Fernandes:) Ficou esquisito. Sem dúvida. Muscularmente é diferente. Requer tempo de habituação. Mas incrivelmente, passados 15 dias bati o meu recorde aos 50m e 1000m livres. A nadar de braços esticados. Curioso no mínimo! Não me sinto ainda particularmente eficiente a nadar assim. Entendo que esta pequena melhoria se deve ao facto de rodar mais rápido. A minha velocidade de braçada é mais rápida para o mesmo deslocamento. Marginalmente, mas mais rápida.

É caso mesmo para dizer que quem sabe, sabe. O João tinha perfeita consciência que embora o nado de braços esticados teoricamente seja menos potente para a rotação, iria compensar na velocidade de execução.

Uma pequena dica, mas de grande valor acrescentado!

Monday, 22 November 2010

Doping no Desporto.

Eis um tema sempre sensível de se falar. Ontem, Domingo, durante o meu treino matinal a minha cabeça ia a 100 a hora. Vários assuntos me assolavam a mente. Ia sem energia nas pernas. Estava toda na cabeça:)
Um dos que surgiu foi precisamente o do doping. Apeteceu-me escrever sobre o mesmo.

Tenho acompanhado com alguma atenção na Cycling News a evolução da investigação que esta a ser levada a cabo pela Agencia Federal Americana sobre doping no ciclismo. Mais concretamente na antiga US Postal. Sempre com o Lance Armstrong como alvo.

É algo de diferente nesta área. Mais serio. Uma investigação mais profunda. Ainda não estou certo que ira resultar em algo. A modalidade e muito fechada. Blindada. Mas tudo aponta que poderá revelar novidades que vão deixar o normal cidadão surpreendido. Acredito que poderá ser um passo importante para uma modalidade mais limpa.

É um tema que me deixa com sentimentos mistos. Digo isto, porque não é o doping que faz um campeão. No entanto, no ciclismo, todos os campeões se dopam. Ou se “tratam”, palavra mais agradável de pronunciar!

No ciclismo os ladrões andam á frente dos polícias. E estamos a falar dos polícias mais desenvolvidos e bem equipados que existem no mundo do desporto. Alem disso, os polícias encobrem os ladrões frequentemente. Como em tudo o que envolve dinheiro, existem sempre relações promíscuas.

Embora nos últimos anos se perceba que os atletas andam mais controlados. A introdução do Passaporte Biológico, a realização de testes cirúrgicos fora de competição e o maior controlo policial durante as competições, fazem com que os ladrões tenham que andar mais controlados. As performances do último par de anos reflectem isso mesmo.

Pensem comigo. Jan Ulrish e Ivan Basso. Ambos "apanhados" na Operação Puerto. Agora vejam, com quem eles disputavam a volta a Franca. Com LA. E quem ganhava? LA. Então se estes senhores andavam "tratados", como é que o LA lhes ganhava? Ou é um extra terrestre ou o doping não causa assim tanta diferença no desempenho. Ora, nem uma nem outra são verdadeiras. Logo, a conclusão e óbvia.

Recentemente assistimos a confissões de doping de alguns ex vencedores do Tour. Bjarn Riis e o recentemente falecido Larent Fignon. Já Anquetil tinha dito ironicamente que não se subiam montanhas a “água e bifes”.

Estou convencido que LA virá um dia a fazer o mesmo. Neste momento, há muito dinheiro envolvido. Muitos interesses. Será que isto faz dele um mostro? Como parece que a investigação americana quer fazer provar? Não creio.

Uma coisa me parece óbvia. Os primeiros 20 classificados do Tour estão todos “tratados” da mesma forma. Quem ganha é efectivamente o melhor. LA foi o melhor durante 7 vezes. Esse mérito nunca lhe poderá ser retirado. As armas eram idênticas para todos. Além disso, ele revolucionou a forma de preparar um Tour. A forma meticulosa como o fazia. O reconhecimento das etapas, a forma como controlava o peso, etc. O focus que demonstrava no objectivo principal. È uma lição para a vida.

Existe também a parte negativa. Ele alimentou a cultura existente. Até a poderá ter desenvolvido. Vive uma vida de hipocrisia. Se bem que a meu ver os atletas são as maiores vítimas do sistema. Médicos, Directores Desportivos, treinadores e responsáveis pela modalidade são os grandes culpados.
Infelizmente para o ciclismo, a sua visibilidade na comunicação social relativamente estes assuntos é muito má. É uma modalidade muito popular. Estas notícias vendem jornais. Não creio que em outras modalidades a situação seja muito diferente.

Estou crente que tudo isto venha a fazer do ciclismo uma modalidade bem mais “limpa”. E, ironicamente, todas as outras ficarão a dever o aumento da sua transparência ao mesmo.

Entretanto, vou aguardando com curiosidade o resultado da investigação. E recorrendo aos meus próprios métodos de “tratamento”. Sementes de linho, óleo de salmão e vitamina C:)

Bons treinos

Friday, 19 November 2010

Peso Ideal

No inicio de todas as épocas, penso sempre nesta questão. Ou melhor, penso sempre que preciso perder uns quilos. Para quem socializa comigo, isto pode parecer uma heresia! Todos dizem que estou magro. Muito magro. A começar pela Mama e a acabar na Sogra:)

Diria que em relação ao cidadão normal, sim, estou magro. Mas nos desportos de resistência, o peso tem uma importância fundamental. Teres que transportar excesso de peso durante horas, tem um custo energético alto. O objectivo dos atletas de resistência é reduzir a massa gorda ao máximo mantendo-se saudáveis. Melhorar a constituição corporal. Manter ou aumentar a massa muscular e reduzir a massa gorda. Tipicamente, um Triatleta de Elite masculino tem uma % massa gorda na casa dos 6 a 8%. Eu andarei nos 13 a 14%. Como vêm, comparado com um atleta de Elite, estou muito “gordo”:)

Vejam a foto que anexo. O atleta da frente é o Michael Raelert. Ele venceu a campeonato do mundo de 70.3 à 15 dias. Se o visse na rua vestido, julgar que tinha 70 anos e que estava a morrer de Cancro! Por isso, quando algum amigo me perguntar o mesmo, devo ter atingido o peso ideal!

Não, não ambiciono ter a composição corporal de um atleta de elite. Não possuo a genética nem as horas de treino necessárias. Mas penso sempre em baixar para valores na ordem dos 11%. Nunca o consigo fazer. Não tenho a disciplina necessária para cumprir a dieta. O pecado da gula trai-me sempre:)

Regra geral tenho uma alimentação cuidada. Mas quando e necessário fazer estas "afinações" finais, há que passar por alguns sacrifícios e cumprir uma dieta espartana. “Not for me”: Pelo menos até hoje!

Este ano decidi comprar um livro para ver se me motivo. "Racing Weigth". Duvido que resulte! Possuo na minha biblioteca já alguns livros sobre o tema. Procurava neste algo mais prático. Não tanto o que se deve comer, mas sim como operacionalizar a dieta. Gerir o apetite, etc. O livro não me decepcionou. O autor revela bom senso. E encontrei informação nova em alguns capítulos.

Uma ideia que retorça é que se deve contar as calorias que se ingerem de tempos a tempos. Ter uma noção do consumo calórico diário. Algo que nunca faço. Não é fazível no meu caso. Considero que é um tema para profissionais ou amadores extremamente dedicados.

Reforça igualmente a ideia que o objectivo da dieta do atleta não deve ser atingir um determinado peso. Mas sim melhorar a composição corporal de forma a melhorar o rendimento. Faz todo o sentido. Mas regra geral, quando se discute este tema, fala-se sempre em atingir um determinado peso. O que é errado.

Outra ideia interessante é que a gordura não é inimiga. Alguns atletas de elite podem chegar a consumir 40% das calorias provenientes da mesma. O importante é o valor total das calorias. Não se são 20% ou 40% vindas da gordura. Embora o valor de 40% será sempre mais aplicado a atletas de distância longa.

Dito isto, estou certo que ninguém me vai abordar na rua e perguntar se tenho Cancro:)
Mas ando tentado a melhorar a composição corporal. No entanto, comer pão, Hambúrgueres e Pizas, está no meu ADN.

Por isso, seja o que o apetite quiser!

Bons treinos














Friday, 12 November 2010

Um tributo à Dedicação.

Enquanto vou pensando nos desafios desportivos para 2011, não posso deixar de escrever umas palavras sobre a determinação de alguém que admiro. Determinação essa que é um exemplo para a vida de todos nós. Profissional ou não.

Estou a falar do Paulo Guedes.

Para que lê os meus posts com regularidade, o Paulo pertence ao meu grupo de corrida do Estádio Nacional. Foi o grande responsável por me ter feito entrar na “em zonas antes impensáveis de sofrimento no Triatlo de Lisboa.

Para quem já ultrapassou a barreira dos 50 anos, o Paulo apresenta uma condição física invejável. É um excelente atleta com algumas particularidades. È pequeno e leve. Mas num corpo muito proporcional. Atlético. Tem zonas cardíacas absolutamente anormais. O seu ritmo em repouso ronda os 30 e poucos batimentos. Idêntico ao de atletas de alta competição bem treinados. Mas a seu batimento máximo não ultrapassa os 150. Ao chegar aos 140 a sua respiração começa a ser ofegante. Algo, que no meu caso, só sucede próximo das 170.

Mas è unicamente eficiente. Possui uma invejável técnica de corrida e o seu corpo tem pilhas “Duracell”. Se formos fazer series de limiar de 6 x 1000m, com algum treino, consigo bate-lo. Mas quando começamos a subir a distância, a sua eficiência é imbatível.

Diz o “Lore of Running” que com planos de treinos equivalentes podes estimar o tempo da maratona multiplicando o da meia por 2,11. No caso do Paulo, este valor deve ser 2,05!

Um dos seus objectivos dos últimos anos tem sido baixar das 3h à Maratona. Começou como a maioria de nós, com tempos na casa das 3h15m-10m. Foi baixando e em Dezembro de 2009 conseguiu chegar às 3h2m. Naquela que foi a primeira tentativa seria de baixar das 3h. E esta tentativa já foi realizada depois de meses antes ter abortado uma preparação já recta final devido a lesão.
Este ano apontou para Berlim. Mas infelizmente no dia da prova estavam 4º grau e chuva. Não correu bem. Mas isso não o desanimou. Apontou para o Porto.

E bingo, 2h59m30s!

Mas nem é da marca que quero falar. Realço sim a forma meticulosa e determinada com que se prepara. Como cumpre os planos, como controla o peso, como se foca no objectivo.
Esta é a lição para todos nós. Como diz a Adidas “Impossible is Nothing”.

Os meus parabéns!

Bons treinos

Friday, 29 October 2010

Em Jeito de Balanço

O final de todas as épocas é sempre uma boa altura para se fazer o balanço da mesma. O ano 2010 era um ano que previa complicado. Tanto a nível pessoal como desportivo.

Vivemos tempos ditos difíceis. Este modelo de sociedade capitalista global não está a melhor a qualidade de vida das pessoas. Nem a resolver os problemas estruturais das sociedades. Paralelamente, os “Media” inflamam os temas, exageram nas notícias e deprimem a sociedade. O chamado efeito “Bola de Neve”. Nada é tão mau quanto eles dizem. Nem tão bom!

Vejam o caso do orçamento de estado. Gostava de saber quanto do que sai nas notícias é verdade. Estou crente que é muito pouco…

Por norma, sou optimista. Alguns dizem que talvez seja apenas irresponsável….enfim…continuo a acreditar que temos todos os meios para ter uma sociedade melhor e mais justa. Um melhor futuro para os nossos filhos!

Nestes tempos mais difíceis, os resultados das empresas não são os desejados. Estas reorganizam-se, reestruturam-se. Aumenta a incerteza. Somos um animal de hábitos. Não gostamos da mudança. Mas temos que encontrar novos desafios nas dificuldades. Novas oportunidades.  Sabia que 2010 ia ser um ano profissionalmente difícil.

Adicionalmente, com o nascimento do Joaquim no final de 2009, era certo que as minhas noites e a disponibilidade para treinar iam ser afectadas. É sempre assim quando há bebes lá me casa. A despesa mensal também ia aumentar:)

Mas se isso não me demoveu no passado, também não me iria demover este ano.
E assim parti para mais uma época com determinação. É verdade que a encarei de forma diferente. Menos competitiva. Não tracei objectivos muito concretos. Pretendia participar em algumas provas, mas não tinha em mente preparações especiais para as mesmas. Iria tentar manter as minhas rotinas de treino e ir às mesmas na forma em que me encontrasse.

Olhando as provas efectuadas, só posso concluir que a época foi muito boa:

> Dois Half Ironman (Lisboa e Aveiro);
> Um X-Terra (Figueira da Foz);
> Três Triatlos Olímpicos (embora não tenha terminado um);
> Mais umas quantas provas Sprint!

Nada mau mesmo. Com resultados razoáveis.
Definitivamente, dentro do que treino, o meu “Sweet Spot” das competições são as provas de distância Olímpica. Mas a motivação em relação às provas longas é cada vez maior. Essa será a tendência.

Dizendo isto, podiam depreender que me iria “atirar” para um Iron Man em 2011. Mas não, não creio. Terei que esperar provavelmente mais um par de anos. Os meus objectivos passam por manter a distância e tentar diversificar as provas. Tentar ir a provas novas. Gostava de competir num Half Iron Man (talvez um 70.3) fora de Portugal. Ou fazer uma prova Internacional do circuito ITU como “Age Group”.

Por enquanto vou treinando sem estrutura. Vou mantendo a actividade física.
A meio de Novembro começarei a pensar num plano de treino “mais a serio”.
O interessante é que esta semana bati o meu recorde pessoal aos 1000m em piscina de 25m:) E até me sentia bastante cansado antes de entrar na piscina! Aquilo a que chamo “fazer um pico de forma” fora de época!

O mau maior desafio actual é treinar (mais orientar) o meu irmão mais novo para o Masters de Natação de Inverno. Pretende competir nos:

> 50 Livres
> 100 Livres
> 100 Mariposa
> 100 Estilos
> 200 Estilos

E digamos que com algumas responsabilidades. Nos últimos campeonatos de verão foi 3º no seu Age Group aos 100m livres e ganhou os 200 estilos.
Pois…é que menino foi nadador de Alta Competição nos seus tempos de adolescente. Como ele já me disse uma vez, eu ando há 40 anos a tentar fazer os tempos que ele fazia aos 12 anos…ou aos 11 anos!

A operacionalização do treino para natação pura, especialmente para quem vai nadar estilos e distâncias curtas, é muito diferente do treino de natação para Triatlo.
Mas como sempre digo ás minhas filhas, o que é dificil é que é interssante. É que motiva!

Bons treinos!

Monday, 18 October 2010

E assim foi a outra…a última prova…

…como sénior. Mas esteve quase para não ser.

Primeiro porque o local da prova foi deslocado do Estoril para Montemor-o-Velho. E segundo, porque tive uma actividade profissional que me ocupou todo o Sábado. Dificultando assim a minha disponibilidade para Domingo. Durante toda a semana, estava certo que não iria. Mas decidi não anular a minha inscrição e manter as opções em aberto. E ao contrario de outras vezes, foi a família que quis que eu fosse!

Como foi.
Como tenho comentado, o meu treino tem andado fraco desde o Verão. Pouca estrutura e pouco volume. Das 10 a 12h semanais que são a norma, passei para 8-9h nas últimas 10 semanas. O nível de forma não é o melhor, mas o suficiente para encarar um Triatlo Olímpico com a certeza que uma prestação razoável estava ao alcance.
A prova foi exactamente o que antevia. Uma natação sem comprometer, um ciclismo a aguentar o possível e uma corrida sofrida. Mas não tanto com em Setúbal.
Para não variar, cheguei em cima da hora. O stress normal. Segundo o regulamento o Parque de Transição fechava às 10h35m. Eram 10h15m ainda estava a estacionar o carro. Estava a descarregar o material quando ouço que ainda ia abrir o Parque de Transição. Uuuufffff…passou o stress

A natação foi na pista de canoagem. Duas voltas em triângulo com partida de mergulho do pontão! Com saída da água aos 750m e novo mergulho!
Parti lento e naveguei mal até à 1ª bóia. A partir dai melhorei a minha navegação e mantive um ritmo aceitável. Quando sai da água, rapidamente verifiquei que estava dentro dos lugares normais.

O ciclismo foi custoso. 40km divididos por seis voltas num percurso maioritariamente plano com algumas curvas e com uma subida de 300m terrível. Muito selectiva. Rodei só no inicio mais de meia volta. Depois apareceu o Fernando Carmo com o José Oliveira e o António Moura na roda. Vinham a rolar junto de um grupo com uma volta de avanço. Os juízes vinham perto e o Fernando procurava não ir na roda do grupo. Embora rolasse ao ritmo do mesmo. Que era demasiado forte para mim. Na entrada da 2ª volta, ele acabou por ficar só. Fiquei com o José Oliveira e o António Moura. E fomos trabalhando à vez até final. Ao contrário do que é habitual, não me fui sentindo melhor à medida que os km iam passando. Senti mesmo alguma fraqueza na última volta. O que não era um bom pronuncio para a corrida. Além disso, tinha-me esquecido de levar as barras e os gels energéticos. A minha estratégia alimentar estava comprometida.

O trajecto da corrida era fácil. Todo plano com poucas curvas. Duas voltas à pista de canoagem. Pouco mais de 10km. O percurso de ida era contra vento. O retorno a favor. Senti-me algo pesado e moído, mas não me sentia a arrastar como em Setúbal. Fui algo controlado na 1ª volta. Na segunda libertei-me um pouco e consegui sentir-me “a correr”.

No final estava bastante satisfeito. Mais uma prestação razoável e a sensação de dever cumprido! E desta vez, tinha parte da família na meta. O que dá sempre uma alegria adicional a estes momentos!

No entanto, hoje quando vi a classificação, fiquei algo surpreendido com o parcial do segmento de corrida. 48m. Isso teria acontecido se me fosse a arrastar. Senti-me a correr para 45-46m. Algo estava errado. E sim, estava. O meu tempo final não batia certo com o do meu relógio. No mínimo, mais 1m30s. Terminei a 5 metros do atleta que ia à minha frente. Era impossível ter ficado a 1m30s dele!
Felizmente que os resultados on-line estavam correctos. O meu parcial de corrida terá sido por volta dos 46m30s. Fraco, mas não uma miséria. Em linha com o que está a valer a minha corrida.

Agora é hora de pensar o que fazer durante o Inverno. Talvez me dedique à natação. Ou então a preparar uma meia maratona. Entrar numas maratonas de BTT tb está nos planos.

Regressarei aos Triatlos lá para Abril do próximo ano. Com a certeza de já ter um dorsal e uma touca vermelha! Digno de um veterano!

Bons treinos

Friday, 8 October 2010

Estoril adiado...

Como esperarado...

"Final do Nacional de Triatlo adiada

As previsões das entidades oficiais contactadas e a avaliação feita ao estado do mar na Praia do Tamariz resultam na inevitabilidade de ADIAR A FINAL DO CAMPEONATO NACIONAL DE TRIATLO, PREVISTA PARA DOMINGO NO ESTORIL.

A prova irá ter lugar dentro de uma semana, no mesmo local.

A Direcção da Federação de Triatlo de Portugal vem pelo presente informar que, devido às condições do estado do mar, não será possível organizar a Final do Campeonato de Triatlo agendada para o próximo Domingo no Estoril. A restantes provas do programa do evento são igualmente adiadas."

Thursday, 7 October 2010

Afinal havia outra…

Prova …como sénior!  :)))

Pois é, a minha candidatura ao Campeonato Nacional de Triatlo do Estoril foi aceite.
O que significa que esta sim, será a minha ultima prova de Triatlo como Sénior.

Ainda existem algumas incertezas. A prova é já este Domingo. A natação decorre na praia do Tamariz. A previsão meteorológica (www.windguru.com) para esse dia aponta para ondas de quase 6m! Lindo. Ou no mínimo, assustador!”

Ora nestas condições, certamente a prova será anulada. Já lá nadei com ondas de 3m. Faz-se. Mas 6m….é outra conversa!
A federação vai tomar a decisão até Sábado. Não estou nada preocupado. Cresci habituado a tomar banho com Mar em más condições. Continuarei a agir como se fosse haver prova.

A minha qualificação não deixa de ser algo surpreendente. A meu ver só possível por dois factores:

> Alguns atletas directamente apurados, são de locais distantes. Caso da Madeira. Não se inscreveram.

> Muitos dos atletas da frente do pelotão estão a migrar para a longa distância. O caso mais evidente é o contingente de Portugueses que vai estar presente no IM da Florida já em Novembro. Muitos deles estiveram presentes em Aveiro e Setúbal com boas classificações. Mas por questões de preparação, não se inscreveram para o Estoril.

O meu treino continua “morno”. Nem bom, nem mau!
As minhas expectativas são idênticas ás da prova de Setúbal. Tentar não comprometer na água, aguentar o que conseguir na bicicleta e arrastar-me na corrida. Mas, ok, espero que o arrasto não seja tão doloroso! 

Bons treinos

Tuesday, 28 September 2010

I hate this...I love this

Estas palavras reflectem bem a evolução do meu estado de espírito durante a minha participação na prova de Setúbal.
A tal, que deve ter marcado a minha despedida da modalidade como sénior.

Mas vamos lá desde o inicio.
Como já tinha referido, o meu treino tem sido fraco. Mas o dia estava bom e a minha vontade de ir era grande. Alem disso, não conhecia a prova e sempre gostei da cidade de Setúbal. Existia essa curiosidade!

A natação.
Muito "triki". Duas voltas de 750m num percurso em quadrado. A maré estava a encher. O percurso ao largo era contra a corrente. No entanto, por algum fenómeno de correntes relacionado com a baia, junto à largada, a água corria na direcção da vazante. Dois dos segmentos do quadrado eram contra a corrente. Navegar bem era fundamental. Tinha que me manter concentrado.
E consegui. Naveguei bem, andei em pés, acelerei para recolar a certos grupos quando tinha que ser. A água não comprometeu.

O ciclismo
O percurso era plano, mas com alguns retornos e partes em empedrado.
5 Voltas no total. Este tipo de percurso citadino que procura a promoção da modalidade, favorece a criação de grupos que rolam em voltas diferentes. Podes ou não ser beneficiado pela situação. No meu caso, apesar de em certos momentos ter rolado com elementos que estavam uma volta à minha frente, julgo que terei sido prejudicado. O grupo foi sempre muito pequeno. 3, 4 ou 5 elementos. Atrás vinha um grupo enorme de mais de 20 elementos. Quase não é preciso pedalar “escondido” neste grupo grande. Teria poupado muita energia.
Acabei por chegar ao último segmente desgastado.

A corrida
Assim que pus os pés no chão, rapidamente percebi que ia ser um arrasto.
As pernas estavam pesadas, estava com dores abdominais. Uma sensação de cansaço muito grande. Tomei um gel. Só veio piorar as coisas. Cai-me mal. As dores abdominais aumentaram. O meu ritmo cardíaco estava muito baixo. Em valores ridículos. Ia devagar e a sofrer. Fui desde o inicio até ao fim a combater o pensamento de querer parar, andar. Pensei por momentos, I HATE THIS!
Mas resisti. Terminei. 2h24m. 63º na classificação absoluta. Um resultado razoavel.
E assim que cortei a meta recuperei a sensação I LOVE THIS!

É verdade que estive uns 15m ligeiramente mal disposto depois de ter terminado. Nunca me tinha sucedido. Definitivamente, algo na minha barriga não correu bem!
Estas provas são duras. O empeno que provocam é grande. Ontem estava todo dorido! Hoje já estou bastante melhor.

Vou pedir autorização para participar na prova do Estoril (Final do Campeonato Nacional). Mas estando na posição 131 no ranking e sabendo que apenas os 80 primeiros têm apuramento directo, as probabilidades de participação são quase nulas. Deverá ter sido a minha despedida de Senior!!

Bons treinos

Monday, 20 September 2010

O tempo passa depressa…

Muito depressa!

Em Abril, na ocasião do Triatlo do Ribatejo, escrevi uma crónica. Nessa prova, a partida dos seniores foi separada da dos veteranos. Fiz referência ao facto, que sendo eu de Fevereiro, deveria ser o mais velho dos seniores.

Pois, agora provavelmente chegou a hora de fazer o meu ultimo Triatlo como Sénior. Dado ter caído em Aveiro e não ter pontuado, as possibilidades de qualificação para o campeonato nacional do Estoril são muito baixas. Por isso, Setúbal deverá ser a minha última prova como sénior. Sem dúvida nostálgico! Preocupante?

Não, não vejo as coisas dessa forma. A passagem do tempo dá sentido à vida. Temos que ir realizando os nossos sonhos, os nossos projectos, dentro da esperança média de vida.

Há quem diga que tenho uma costela de Peter Pan. Gosto que me chamem dessa forma. Muito. Por vezes em casa, sinto-me autenticamente essa personagem!

Mas na sua faceta positiva. A imagem do Peter Pan pode ser “colada” a quem cresce e não quer assumir responsabilidades. Mas não me refiro a essa. Prefiro a do adulto que nunca esquece o seu lado alegre e energético de criança.
O Triatlo tem ajudado a manter-me criança. Dá-me a energia de criança!

Como já deixava antever na última crónica, a semana de treino foi fraca. As noites melhoraram ligeiramente, mas o corpo anda moído. Mesmo assim, a prova local de 15km não correu mau de todo. De todas as edições que fiz, foi onde sofri menos. Por opção própria adoptei um ritmo muito prudente. O ideal para conseguir recuperar com alguma facilidade. Hoje estou dorido, mas não exageradamente.

Esta semana é procurar ver se consigo recuperar alguma frescura física. Para enfrentar a prova de Sábado e fazer o melhor possível. Mas se o resultado reflectir a qualidade das minhas últimas semanas….a coisa não vai ser famosa.

Um abraço e bons treinos

Tuesday, 14 September 2010

De regresso…à privação de sono

Como planeado, com o regresso ao trabalho, a ideia era voltar ao treino mais estruturado. Lentamente.

E não se pode dizer que não tentei. Mas a semana de estruturada teve muito pouco. E a culpa foi do bebé lá de casa

Pois é, com os dentes a nascer, as noites transformaram-se num autêntico pesadelo. Foram todas más ou muito más. Como resultado, ou não consegui levantar-me suficientemente cedo para treinar, ou a vontade de colocar qualquer intensidade era nula.

Lá consegui nadar duas vezes. Soube bem. As corridinhas continuam ligeiras e o treino de bicicleta foi aceitável.

O ponto alto da semana nada teve a ver com o meu treino. Foi sem dúvida a prestação dos portugueses na grande final da ITU. Especialmente o 4º lugar alcançado pelo João Silva na prova de Elites masculinas. Deixando no horizonte, a possibilidade de dentro de 2 anos em Londres termos um candidato às medalhas nos Jogos Olímpicos.

Interessante é igualmente analisar o percurso do João Silva até hoje.

A Federação de Triatlo em Portugal funciona como um clube de Elite. O João era um razoável nadador que foi descoberto para o Triatlo em 2005 (com 16 anos) numa acção de detecção de talentos. As suas capacidades como corredor cedo impressionaram.

Entrou para o CAR (Centro de Alto Rendimento) e passado pouco tempo, foi medalha de bronze nos Mundiais de Juniores. Embalado por esse resultado, e ainda como Júnior, fez uma aposta forte na tentativa de estar presente nos Jogos Olímpicos de 2008. A qual não teve sucesso. A determinada altura pensei que esse insucesso poderia abalar seriamente a sua aposta no desporto de alta competição.

Mas felizmente para os amantes da Modalidade, este ano, depois de uma excelente pré temporada, os resultados de alto nível apareceram. De tal forma que terminou este ano como numero 5 do ranking mundial da modalidade.

Esta prova foi igualmente a última sob a orientação da actual Direcção Técnica da Federação. Um novo ciclo irá começar. Com todas as expectativas e incertezas que são normais nestas mudanças. No entanto, não deixo de estranhar esta mudança a meio do ciclo Olímpico. Faria mais sentido que fosse no início.

Os problemas de sono têm continuado esta semana: Mas tenho confiança que a minhas capacidades de base sejam suficientes para efectuar um desempenho normal na prova de Setúbal dentro de 15 dias.

Este Domingo, regresso às provas populares de atletismo. 15km de Benavente. É calçar os sapatos e sair directo de casa para a linha de partida. O Objectivo é ir devagar. Prudente!

Bom resto de semana e bons treinos

Tuesday, 7 September 2010

Regresso de Férias


Estou de volta depois de 3 semanas de férias com a familia.

Não sou daquelas pessoas que quando vai de férias por um período mais longo, se despede de toda a gente. Nem quando regresso ao trabalho, faço disso um drama.
A vida é mesmo assim e tudo passa muito depressa. Cada vez mais depressa.

Ok, ok. Reconheço que o dia de ontem me custou “montanhas”:)

As férias foram boas. Muito boas. Muita confusão familiar. Mas saudavel.
Se venho descansado? Não, não. Venho muito mais cansado!

Mas treinar…upss…isso foi fraquinho. É verdade que nunca paro e tento sempre fazer alguma actividade física diária. Nem que sejam só 30m. Mas treinar de uma forma estruturada é impossível. Nem procuro fazê-lo.

Nadei muito pouco e fiz umas corridinhas ligeiras. Salvou-se a bicicleta. Especialmente na última semana. Aproveitei a minha estadia no Minho para fazer algumas subidas “nostálgicas”.

È tb a altura de questionar o porquê desta dedicação (por vezes “exagerada”, dirão os mais críticos) ao Triatlo. Sem ter uma resposta única, concluo sempre, que o que me move é a actividade física ao ar livre no meio da natureza. A sensação de liberdade. Existe igualmente uma forte componente competitiva. De levar o corpo ao limite. Perceber até onde ele resiste. O Triatlo é ideal para isso!

Várias vezes me perguntam quando vou parar com isto. Respondo: não sei. Não tenciono parar:)
Penso sempre para mim que a “loucura” ainda vai a meio. O objectivo passa por fazer um Iron Man no futuro. Correndo sempre o risco de depois de superado esse objectivo, colocar um ainda mais ambicioso. Vejam o caso do Sica. Depois de fazer o primeiro Iron Man, já está a pensar em fazer um bem mais duro!

A mente humana à procura do próximo desafio!

Agora é tentar organizar-me. Recomeçar de novo devagarinho. Perceber em que estado se encontra a minha condição física nas três modalidades.

O bichinho da actividade física continua por cá. Mas a motivação para treinar duro, fazer sacrifícios, não. Encaro isto de forma positiva. São fases necessárias. A motivação virá.

Regressarei à competição no Triatlo Olímpico de Setúbal. No final deste mês. Antes devo fazer a corrida dos 15km de Benavente.

Bons treinos

Friday, 13 August 2010

Challenge Copenhagen

É já este Domingo. http://www.challengecopenhagen.com/en/

Com a presença de alguns portugueses. 
Gostava de deixar uma particular força ao Sica (http://sicatriatlo.blogspot.com/). 
Alguem que tem uma familia numerosa, com crianças ainda em tenra idade, mas quem tem mostrado uma dedicação e empenho no treino desde que chegou à modalidade impressionantes.
Domingo é o cumprir de um sonho. Como diz a Nike, "Impossivel é o que nunca foi tentado"
Esta está debaixo do meu "radar". Quando? Ainda não sei. 2012...2013...talvez.
Força pessoal!

Monday, 9 August 2010

Mind Games, Suplementos e Nutrição

Desportivamente falando, a semana que passou correu bem. Consegui manter a consistência e isso para mim é sinónimo de correr bem! Mas não foi nada fácil.

Tudo parecia ir descambar na Terça-feira. Fui correr à hora de almoço. Em busca da minha tradicional corridinha social. Mas estava quente. Quente e Húmido. 32 Graus. Era suposto ser um treino ligeiro. Treino aeróbio de base. De manutenção.

O ritmo até foi reduzido. Mas dadas as condições climatéricas, o sofrimento foi muito. Aos 20m já me apetecia encostar. Acabei por fazer 55m. Em grande sofrimento. Fiquei exausto. A semana a partir dai, tornou-se muito difícil.

Quarta-feira tentei ajudar um amigo numas series de corrida. Ele está a preparar a Maratona de Berlim. O plano dele era fazer 6 x 2km @ 4m/km com 1m30s de descanso.
 
Apesar de não fazer este tipo de treino há algum tempo, a minha primeira reacção com a tarefa foi: Difícil. Mas o ritmo não é demasiado forte. Sabia (nem queria) que não conseguiria fazer todas. Pensei que 4 x 2km estava ao meu alcance com relativa facilidade.

Mas não. A 1ª já doeu. A 2ª doeu muito. Encostei aos 1000m da 3ª:(

Conclusão: ou a minha forma está pior que o que julgava, ou a Terça-feira deu conta de mim. Ou talvez uma conjugação das duas!

A partir daqui começaram os “mind games”. O cansaço era grande. Perdi a vontade de treinar. Especialmente em efectuar as tarefas planeadas. Mas mantive-me firme. Procurei encarar sessão a sessão. O ritual era o mesmo. Não tinha vontade de efectuar a sessão. Mas ia. Chegava, não tinha vontade de fazer as tarefas. Mas fazia. Ia fazendo. E cumpria. Muitas vezes com alguma “facilidade”.

O problema não era físico. Era psicológico. Sem provas no horizonte, com as férias a chegar, com um calor que só dá vontade de estar na praia, o corpo não puxa para certas coisas! Não é fácil manter o focus. Mas acabei por vencer a guerra psicológica!
 
Entretanto, ao passar os olhos pelo Fórum da Tri-Oeste (www.tri-oeste.pt) volto a deparar-me com um post onde mais uma vez se falava do tema Suplementação e Nutrição. Uma área pela qual, como sabem, tenho um particular interesse.

O post era de alguém que se iniciou no Triatlo há pouco tempo, mas não tem evoluído o que pensava. Segundo o autor do post, tem dificuldades em recuperar de sessão para sessão. E claro, a conclusão é que a resolução deste problema está na Suplementação e na Nutrição.

Ora, eu discordo! I.é, concordo que os suplementos (alguns) e a nutrição ajudam na recuperação e no manter de uma boa saúde em geral. Mas discordo que tenham um efeito milagroso! 1h de sono a mais por dia faz muito mais pela recuperação que qualquer suplemento.

É verdade que sempre fui muito céptico em relação à suplementação. Talvez porque como alguém diz, sou fuinhas, e os suplementos custam dinheiro. Mas aqui e ali fui experimentando um ou outro e reconheço que em alguns casos se nota o efeito. Mas nada de milagroso. Os ganhos são marginais.

Nada substitui um planeamento das cargas cuidadoso, progressivo e com períodos de repouso adequados. Se a isto associarmos noites bem dormidas e consistência no treino, a evolução vai acontecer certamente. Mas lentamente. Porque nisto dos desportos de resistência, como em tudo na vida, não há milagres!
 
Bons treinos

Friday, 30 July 2010

“Picos” de Forma

A semana está a chegar ao fim. Desportivamente falando, correu bem. Queria voltar a ter uma semana consistente. Consegui.

As cargas não formam particularmente duras. A ideia é retomar devagar. E felizmente que assim foi, porque com o calor que esteve, as noites foram bastante más. O descanso foi fraco. Estou com aquela sensação de não frescura. Aquela que não tive a semana passada e me soube tão bem!

Indo directo ao tema do titulo. Antes do Triatlo de Aveiro (o Olímpico), numa conversa com um colega meu Triatleta, procurei saber como ele se sentia. Como estava a correr o treino. Que esperava ele da prova. A resposta dele surpreendeu-me. “Vou fazer um “pico” de forma” em Aveiro!

Traduzindo: vou estar no meu melhor nesse dia.

A minha resposta foi imediata. Mas fiquei a pensar nela. Fui no mínimo desanimador.

Isto porque não acredito que atletas verdadeiramente amadores, consigam planear “picos” de forma. Digo isto baseado na minha experiencia pessoal.

Um “pico” de forma implica um “taper” (período pré competitivo) físico e psicológico. O corpo tem que ter super compensado de todas as cargas de treino passadas e estar completamente descansado e relaxado. A mente também tem que estar 100% focada na prova. Corpo e mente têm que andar lado a lado neste período.

Uma super compensação física significativa tem que ser precedida por várias semana de treino consistente e árduo. O corpo tem que atingir um limite de cansaço bastante elevado.

Alguém que seja verdadeiramente amador, dificilmente consegue descansar e ter a consistência necessária para conseguir atingir este nível de cansaço. Existem n variáveis que não controlamos. Trabalho, família, etc.

Além disso, o processo de “taper” é complexo. Mesmo para profissionais. Algo que ainda não domino.

Acredito sim, em períodos melhores e piores. Isto é, se o treino andar a correr bem (porque as tais variáveis andam relativamente controladas ou porque andamos a treinar mais) a nossa forma física anda igualmente melhor. Se o descanso para uma determinada prova for de qualidade, e isso coincidir com um período de treino mais positivo, a probabilidade dessa prova correr bem é maior.

Resumindo, apostar tudo numa única prova, sendo verdadeiramente Amador, na minha opinião não faz sentido.

O que faz sentido é procurar estar melhor num determinado momento. Num intervalo de tempo mais alargado. Como por exemplo, um determinado mês.

Bons treinos

Monday, 26 July 2010

Treino. Prós e Contras

A semana que passou foi muito calma. Foi tempo de curar as feridas e relaxar um pouco. Corri e pedalei ocasionalmente, mas sem estrutura. Andei fresco. Soube muito bem. Durante as rotinas normais de treino, quando o sono é mau e a recuperação pobre, a sensação de cansaço acompanha-me quase sempre. Levar ao corpo ao limite faz parte da evolução. Saber quando aliviar é a chave do sucesso. Concluo que muitas vezes não sei quando o fazer. Forço demais. Causa impacto no equilíbrio com a família e com o trabalho.

As minhas típicas semanas de treino são compostas por nove sessões. Três de natação, três de corrida, duas de ciclismo e um “brick” bicicleta corrida. A forma como se distribuem pela semana é: três dias uma sessão única, três dias bidiários e um dia de “descanso”. O Sábado. Quando comento estas rotinas com amigos, a maioria das vezes o comentário normal é perguntarem como o consigo sem retirar muito tempo à família. A pergunta é óbvia. A resposta não tanto. As horas de treino estão muito longe de serem o problema na gestão familiar. Por norma treino de madrugada e/ou ao almoço. Ao Domingo, no treino longo, às 10h da manhã já estou em casa.

 
Tento que o impacto seja mínimo no convívio familiar. É claro que se rentabiliza-se melhor a hora de almoço, poderia ir para casa mais cedo. Mas termos tempo para nós é importante. Preciso deste espaço para mim. Procuro não abusar. E não é o tempo passado a treinar que impacta com a família e com o trabalho Mas sim a conjugação de dois factores:
  • O cansaço provocado pelo treino;
  • O excesso de motivação;
Cansaço
Quando andas cansado, ficas improdutivo, sem paciência, pouco disponível. Pode representar um grave problema. As crianças precisam de muita tolerância. São traquinas, irreverentes, confrontadoras. Gostam de nos testar. Quando se anda cansado, perde-se a capacidade de diálogo. De as tentar demover usando a inteligência. Partes para a agressividade com muita facilidade. Quando deveria ser o último dos últimos recursos. Por outro lado, arrastas-te pelo sofá, perdes iniciativa para brincar com elas, para as estimular, para conviveres e criares relação.

O mesmo se passa no trabalho. Se a sessão matinal for demasiado dura, a produtividade do dia pode estar comprometida. O mesmo se passa com a sessão do almoço. Se abusas, o sono pode tomar conta de ti de tarde. A produtividade vai-se. 
Por outro lado, o treino no longo prazo, faz-te estar fisicamente mais disponível. Especialmente quando andas mais descansado. Nessas alturas não há criança que tenha mais energia que eu e no trabalho consegues estar super produtivo.

  
Motivação

Como todas as obseções na vida, quando se anda super motivado com algo, tudo o resto perde importância. É secundário. Andar demasiado motivado e absorvido pelo treino pode causar impactos na família e no trabalho. Queres melhorar, todos os bocados de tempo que julgas livres, aproveitas para treinar. Esqueces que poderias fazer algo diferente. Namorar, ir comer um gelado com a familia, etc. Nem te passa pela cabeça. Tornas-te um refém do treino. Encontrar o equilíbrio certo é fundamental. Mesmo no trabalho, perdes-te a procurar informação na Internet sobre treino, estás impaciente pela próxima sessão de treino. A tua cabeça anda longe. A tua produtividade e focus, são fracos. No entanto, se conseguires transportar a tua competitividade interna e a disciplina que impões nos treinos para o trabalho, podes-te transformar num “super” trabalhador. 

 
Como depreendem dsa minhas palavras, neste “jogo” existe um lado bom e um lado mau.

O lado mau não é as horas que se passa a treinar. Mas sim o impacto que isso causa na tua disponibilidade física. O excesso de motivação é igualmente um problema. Saber encontrar o equilíbrio destes factores é fundamental. 

 
Esta semana estou de volta aos treinos estruturado. O objectivo é fazer três semanas de treino consistente antes de ir de férias. Altura em que o treino é apenas de manutenção.

  
Um abraço e bons treinos

Monday, 19 July 2010

Triatlo de Aveiro – Tributo ao Lance Armstrong

Dizem que os homens com o avançar da idade se tornam mais solidários uns com os outros. Já tinha comentado em “posts” anteriores algumas coisas que tenho em comum com o Lance Armstrong. Convêm frisar que nada têm a ver com feitos desportivos. Automobilisticamente falando, o homem é um Fórmula 1 e eu um 2 cavalos:)

Como ele tem dado umas quedas valentes na Volta à França deste ano, no Sábado, em Aveiro, decidi fazer o mesmo. Mas, olhem, fiquem bem pior tratado que ele:(

Pois é, cai e desisti. Não há muito que contar a não ser que tive 30m na enfermaria rodeado de 3 simpáticas socorristas e uma enfermeira.

Mas vamos lá do inicio. Como é meu costume, fui em cima da hora. A prova era às 16. Sai da casa às 13h, cheguei às 15h. Nem tive tempo de experimentar a bicicleta. Foi fazer o check in e ir aquecer para água.

Esperava-me uma natação sem fato. Água a 25 graus. Sabia que a partida era decisiva. A colocação na entrada do canal decide o resultado final. Não é possível fazer ultrapassagens a partir dai. A linha de partida estava dividida por grupos. Mulheres, Veteranos e os restantes. Os veteranos estavam melhor colocados que os restantes. Estavam mais próximos da entrada do canal. Tentei partir encostado a eles, mas sem me colocar muito à frente. E claro, o arranque não me correu bem. Muita confusão, muita pancada. O que já estava à espera. O que não contava é que fosse durante todo o segmento. Nadei sempre junto do mesmo grupo (não havia volta a dar). Quando sai da água, reparei que o Fernando Carmo estava ao meu lado. Era um mau indicador. Ele, por norma, sai da água 1m atrás de mim aos 750m. Mas por outro lado, quando cheguei ao parque de transição, vi o Nuno Pereira. Que nada melhor que eu. Fiquei algo baralhado sobre a minha performance no segmento. Agora, depois de ver os tempos finais, concluo que a performance foi fraca. Embora se confirme o que disse. A entrada no canal decide muito. Alguns atletas que nadam melhor que eu, saíram atrás de mim.

Fiz uma boa T1 (sem fato ajuda sempre), e segui para o ciclismo. Tentei ir na roda do Fernando Carmo. Mas ele pedala muito. Para ir com ele, precisava de um grupo. Sozinho ainda aguentei 2/3 de volta, mas a determinada altura tive que o deixar ir. Não tinha capacidade para aquele andamento. Depois foi encontrar o meu ritmo e o grupo certo para gerir o esforço doseadamente. Até que já na 4 volta (eram 6 no total), por volta do km 23, aconteceu a queda. Um misto de azar e nabice. Ia a rolar perto dos 40km/h, num grupo de 5 elementos. Eu ia em 3º no grupo. Tirei a mão direita do volante para retirar um gel do bolso do meu fato. Nesse preciso momento, só vejo os dois atletas da frente desviarem-se de um buraco. Eu não consegui. Passei directo pelo mesmo. A roda de trás bateu forte e o pneu furou. Perdi o controlo da bicicleta e zás. Num segundo ia de arrasto pelo alcatrão fora. Ainda pensei em continuar, mas tinha o pneu furado e não tinha levado camera de ar de suplente:)

Fui vagarosamente a pé até à enfermaria, onde, como já sabem, fui “carinhosamente” assistido:)
 
Agora é sarar as feridas. Nada que me tire a motivação. Continuarei a treinar (nadar não, que neste estado não posso) e voltarei a competir provavelmente só em Setembro.

A parte mais negativa, é que provavelmente teria conseguido o passaporte para um lugar na finalíssima no Estoril em Outubro. Resta-me Setúbal em Setembro para o tentar.
Sendo logo após as minhas férias de Verão, a forma nessa altura, vai estar muito mediana! Sem stress.


Bons treinos

Monday, 12 July 2010

Regresso à Competição

No próximo Sábado regresso á competição.
Triatlo Olímpico de Aveiro. Um razoável empeno me espera. Este tipo de provas é muito ingrato. A estratégia passa por tentar ir em grupos de ciclismo os mais fortes possíveis. Mas isso, fez-me ir ao limite muitas vezes. Pagas esses esforço na corrida.
Vou sem grandes objectivos. Apenas terminar e fazer melhor que o ano passado.

Felizmente as doenças já se foram e o treino tem sido normal. Nem bom, nem mau!
 É nestas alturas que dou mais valor à modalidade. Alturas em que não tens objectivos particulares de provas e onde se aproximam as férias de Verão. É fácil desmotivar, perder forma e meter uns quilos a mais. Sendo 3 modalidades, mesmo não estando focado em nenhuma prova em particular, encontras sempre uma motivação particular qualquer! E assim vais mantendo as rotinas e a forma física!

Ao contrário do Triatlo Longo de Aveiro, esta prova é disputada no centro da cidade. A natação é feita no canal principal da Ria que atravessa o mesmo. Muito diferente do cenário das restantes provas. Normalmente são disputadas em Rios, Barragens ou no Mar.
O canal é estreito e a colocação à entrada do mesmo é vital para o resultado final do segmento de natação. É o momento “máquina de lavar a roupa”. Autenticamente. 200 Atletas e tentar ganhar posição num canal com 5m de largura!
 O segmento de ciclismo é de dureza média. Muitos retornos, muitas subidas curtas, muitas mudanças de andamento. Não me agrada particularmente. Não pelas características do mesmo, mas pela envolvência. Algum betão, descampados, viadutos, prédios…pouca harmonia.
 A corrida é diferente. Percurso pelo centro da cidade, uma parte dentro do jardim. Junto aos braços da ria. Bastante agradável.
 Antes de terminar queria deixar uma nota de admiração ao Lance Armstrong. Somos da mesma idade e temos o mesmo número de filhos (embora ele vá desempatar em breve). É fantástico como alguém já “entradote”, saia do conforto do sofá e encontre motivação para tentar ganhar novamente a Volta à França. Ontem teve o seu pior dia de sempre na prova. Mas a atitude no final mostra bem a sua mentalidade. O “Fair Play” e a atitude positiva com que reagiu são únicos de um grande campeão.

Engraçado que nos anos em que ele disputava a volta com o Jan Ulrich, sempre fui pelo alemão. Estive sempre à espera que o Lance tivesse um dia como o de ontem.


Mas ontem, ao vê-lo ficar para trás, fiquei desapontado. Queria vê-lo lá na frente, a discutir a etapa. Queria até que ele a vencesse!

Bons treinos

Tuesday, 29 June 2010

Estes dias


Não têm sido os melhores para o treino. A juntar á pontual falta de saúde da semana passada, umas mini férias com a família. Souberam muito bem. Mas o treino foi muito pouco.

É sempre assim. Também não vale a pena treinar muito nestas alturas. Ando sempre cansado de andar com a criançada de um lado para o outro. Sobra pouca energia para nadar, pedalar ou correr com dureza. Faz parte. Alem disso, a minha sinusite ainda anda por cá. Uns resticios.

Mas não estive totalmente desligado do Triatlo. Acompanhei a participação dos portugueses no campeonato da Europa de Longa Distancia. Em Vitoria, no Pais Basco. Tinha intenções de lá ter estado. Mas assim que soube que vinha ai o Joaquim (o bebé lá de casa), desisti da ideia. Fazer 4km a nadar, 120Km de bicicleta pelo meio das serras e 30km a correr…requer mais treino. Vou apontar para 2012. Nesse ano, no mesmo local, vai decorrer o campeonato do mundo. Seria uma boa preparação para algum dia tentar a distância Iron Man (3,8km de natação, 180Km de bicicleta e 42km a correr).

Esta semana irei tentar voltar treinar com alguma estrutura. Mas vou voltar à base. Uma semana de treino soft. Sessões longas aeróbias e alguma velocidade.

Tenciono voltar à competição em Aveiro, dentro de 3 semanas. Triatlo Olímpico.

Bons treinos

Tuesday, 22 June 2010

Detesto estar Doente

Dois dias após o Triatlo de Oeiras, comecei a ficar sem energia. Ao mesmo tempo apareceu uma constipação (e sinusite), uma ligeira dor de garganta e alguns sintomas de uma ligeira febre. Para piorar, metade da família apresentava os mesmos sintomas:(

Detesto estar doente! Raras vezes fico assim. Talvez uma a duas vezes por ano.

Fui resistindo. Nada de medicamentos. Tirei um dia “de folga” de treinos e retomei o plano. Apesar de estar cansado, no final da semana já me sentia melhor.

Mas Domingo voltei a recair. Para piorar, tenho dormido mal e ontem estava completamente KO. Voltei a tirar um dia. Hoje já me sinto melhor.

Vou usar as minhas poções leguminosas e outras para me tentar curar!

Mediamentos, só mesmo quando já não tenho opção!

Detesto estar doente!

Wednesday, 16 June 2010

Cozinha. Um tema diferente :)





Para variar o tema vou escrever sobre algo diferente.
Alimentação. Algo sempre importante entre os desportistas. Joga um papel importante na performance. Por isso é normal que seja um tema do nosso interesse. Tenho n livros sobre o tema.
Mas não é sobre noções de alimentação que vou escrever. Mas sim sobre receitas. No meu caso, a necessidade de controlar o que como e o facto de ter crianças para alimentar, levam-me para junto dos "tachos" muitas vezes. Não que me considere um bom cozinheiro. De saber misturar temperos, sei pouco. Mas basicamente gosto de inventar:)
Uma área particularmente interessante é a dos legumes. A maioria de nós cresceu à volta da salada de alface e tomate. Ok, ok, por vezes um pouco de cenoura e cebola. A salada típica da restauração tradicional portuguesa. Outros legumes, por norma, aparecem “escondidos" na sopa. Visitando uma banca de legumes em qualquer super mercado, é fácil perceber que existem muitas variedades dos mesmos. Ultimamente ando numa de experimentar alguns novos. Por exemplo, no último fim-de-semana, inspirado num livro de receitas (sim, do Henrique Sá Pessoa e do fernando Povoas) fiz o seguinte:

Cortei aos pedaços cenoura, curgete, abóbora e espargos. Cozi os espargos um pouco para ficarem mais moles. Depois salteei em azeite e temperei com sal e pimenta. Peguei em dois pimentos vermelhos e abri-os por cima de forma a criar uma tampa. Enchi os pimentos com os restantes legumes já salteados. Tapei-os com a "tampa" e levei-os ao forno 15m.
Adicionalmente, fiz uma salada de rucula e tomate. Era para adicionar frutos secos mas já não tive paciência para os partir.
Tudo isto a acompanhar um prato de massa e carne. Um “banho” de legumes. Pouco calórico, bastante saboroso e nutritivo!
Bom apetite

Triatlo de Oeiras



É sempre com enorme satisfação que participo nesta prova. O facto de ter sido a zona onde cresci, onde passei muitas tardes de praia na minha adolescência, torna a prova especial. Este ano participei sem objectivos competitivos. Puramente para desfrutar e servir de teste.
Felizmente, desta vez, dormi bem na noite da prova. O dia ajudou. Estava Sol, uma temperatura óptima e pouco vento.
Como é meu hábito, levantei-me bastante cedo e fui correr 20m para me activar. Calmamente dirigi-me para Oeiras. Cheguei já depois das 9h, com o parque de transição já fechado. Havia prova aberta às 9h30m. Supostamente este ano, era possível fazer o check in entre as 10h e as 10h30m. Tal foi a minha surpresa quando ás 10h me dirigi para o local do Check in e o juiz presente me informa que só quando o ultimo atleta da prova aberta terminar, é que se pode proceder ao Check in. O tempo ia passando, e só por volta das 10h30m, fiz o check in.
De seguida vesti o fato isotérmico e fiz o tradicional aquecimento na água. 15m. Queria estar bem activado. O objectivo era sair rápido. E assim foi. Houve alguma confusão no inicio, mas depois da primeira bóia tudo acalmou. Verdade que tb optei por nadar mais pelo largo entre a 1ª e a 2ª bóia. Dada a corrente, parecia-me a melhor opção. No entanto, fiquei sem “pés”. Ao rondar a 2ª bóia, notei algo de estranho. O pelotão não navegava em linha recta em direcção às bóias junto à saída da água. Estranho. Ao invés, navegavam para junto do forte, inflectindo mais tarde para as bóias da chegada. Não percebi se foi um movimento propositado dos atletas da frente para aproveitar o circular da corrente na praia, se foi um erro de navegação dos atletas da frente e todos foram atrás. Eu decidi nadar em linha recta. Mais uma vez, longe da confusão e sem pés.
Quando sai da água, estava o Valdo Neves junto a mim. Aparentemente era um bom sinal.
Sendo eu um “fraco” corredor, forcei nas escadas de acesso à T1 para não perder o contacto com o Valdo. Consegui fazer uma boa T1 e sair na roda do Valdo para o ciclismo. O inicio deste segmento custa-me sempre muito. O ritmo do Valdo era muito forte. Ele tentava fazer a junção a um grupo que ia à nossa frente. Pediu-me ajuda. Mas eu não podia. Ia no “elástico” na roda dele. Se fosse para a frente “puxar”, “morria”. Nas curtas subidas do percurso até Algés, segurei-me como podia e sempre com sucesso. No retorno em Algés, reparei que vinha um grupo numeroso quase a alcançar-nos. Vinha liderado pelo Carlos Gomes. O incentivo para cooperar na frente do mini grupo onde ia inserido, ainda passou a ser menor. Fomos alcançados antes dos semáforos da Cruz Quebrada. Resisti à subida e a partir dai procurei gastar o menos energia possível.
Fiz uma T2 tranquila e segui para a corrida. Que acabou por ser razoável embora sofrida. Havia muitos atletas a correr perto do meu ritmo. Éramos mais de 10 separados por menos de 20s. Durante a 1ª volta consegui impor um ritmo bom. Mas ia a sofrer. Levava o César Andrade na minha “perna”. Era uma surpresa muito agradável. Não o esperava ver correr assim. Já na segunda volta, na descida para Santo Amaro, acabei por quebrar e aliviei ligeiramente. Só a 500m da meta voltei a forçar. Entretanto, os meus despiques directos tinham-me ganho 10 a 15s. Já não dava para recuperar.
No final, uma boa prestação e acima de tudo, uma prova que me deu muita satisfação disputar. A certeza que a natação está de volta ao melhor e que a minha condição física em termos gerais está boa. Saliento ainda o facto de ter recuperado fantasticamente. Isto de fazer longos, deixa marcas no corpo!
Gostava tb de salientar três factos
> Finalmente uma presença numerosa da equipa. 5 Elementos. Espero que se repita mais vezes este ano.
> O regresso à competição do Olímpio. E logo a fazer 3º em V4. Viva a longevidade!
> A corrida do César. Muito bom. Grande surpresa. Que te dê motivação para continuares a evoluir.

Monday, 7 June 2010

Divagações de um Triatleta Amador


O Triatlo longo de Aveiro foi a quinta prova Longa (1.9km natação + 90km ciclismo + 21,1 km corrida) em que participei. O quarto que terminei. O ano passado em Porto Santo abandonei ao km 20 do ciclismo com um pneu destruído. Por curiosidade Aveiro foi a primeira vez que terminei um Longo que não fosse o de Lisboa.


Este ano tem sido recheado de provas longas. O X-Terra da Figueira da foz, o Longo de Lisboa e agora Aveiro. E estes dois últimos separados por 5 semanas. Tenho divagado sobre a comparação de ambos. O treino para Lisboa foi muito inconsistente. A natação estava a atravessar uma má fase. No ciclismo faltavam treinos longos. O máximo que tinha feito era 70km. Na corrida, o mesmo. Faltavam os treinos longos.


Já para Aveiro houve consistência. A natação estava melhor (em piscina) e no ciclismo tinha conseguido fazer um par de treinos longos de qualidade. Mesmo os indicadores de corrida eram mais animadores. Em ambos aliviei o treino na última semana. Embora o descanso tenha corrido melhor para Lisboa. Em Lisboa tinha objectivos e "guerras" pessoais competitivas. Em Aveiro não. Era fazer o melhor possível.


Comparando os segmentos não em termos de tempo, mas de performance geral, a natação correu melhor, o ciclismo correu ligeiramente pior e a corrida nitidamente pior.
A natação era mais fácil. Em Lisboa eram 500 atletas à partida. Em Aveiro 160. A confusão foi muito menor. Olhando aos dados do meu Ergomo (medidor de potência), a análise do ciclismo é interessante. Em Lisboa a media em watts foi 266. Em Aveiro 262w. Aparentemente muito parecido. Mas se olhar ao NP (Potência Normalizada) a historia já é diferente.


O NP é um indicador mais correcto (em teoria) da carga metabólica que a potência media. Basicamente, o NP assume que a relação entre potência e carga metabólica não e linear. Para valores mais elevados coloca uma ponderação superior à da relação linear. Na prática, quanto mais constante é o esforço, mais próximo fica o NP da potência média. Se o esforço for muito variado, maior é a diferença entre ambos os indicadores. Sendo que o NP é sempre superior. Em Lisboa o NP foi na casa dos 275 watts. Em Aveiro foi quase igual à potência média, 264w.


A justificação está no grupo onde andei inserido em Lisboa e na subida de Sta Iria. A rolar "escondido" pelo grupo os valores de potência caiam para 220-240w. Mas na subida, iam acima dos 300w. Na última volta e meia, para não perder a referência dos elementos mais fortes, várias vezes vi valores de 280-300w mesmo a rolar. Esta disparidade de esforços justifica a diferença do NP para a potência média. Em Aveiro, o esforço foi praticamente constante.


Acreditando no NP, o meu esforço no ciclismo em Lisboa foi superior ao de Aveiro. Em média, 11w. E bate certo com os meus tempos finais para o segmento. Em Lisboa, ter andado no grupo, fez-me ganhar entre 5m e 7m. O meu tempo final correcto teria sido entre 2h36m e 2h38m. Em Aveiro 2h43m.


A surpresa vem na corrida. Como consegui correr em Lisboa sem ter quebrado como quebrei em Aveiro? Alem disso, sai “solto” para a corrida. Em Aveiro, não! E verdade que estou ligeiramente mais pesado (1kg). Faz diferença na corrida.
Mas a meu ver, a justificação da diferença de performance, vem da fixação de objectivos. Nos momentos de sofrimento críticos em Lisboa, agarrei-me a tudo o que tinha para não quebrar. Não queria ser apanhado:) Em Aveiro, mal começou a doer, abrandei. Não fui capaz de forçar. Lá esta a importância dos pequenos objectivos e das rivalidades saudáveis. Ainda tentei impor objectivos durante a corrida. Mas não resultou.
Em jeito de resumo, para um atleta amador, existem n variáveis que podem interferir no resultado final. Não e fácil correlaciona-las com o mesmo. Mas uma coisa e certa: ter objectivos é fundamental. Realistas claro:))

Bons treinos e até Oeiras!

Wednesday, 2 June 2010

COMRADES 2010. Uma aventura portuguesa.

Ouvia falar das Comrades á uns anos atrás. Quando lia o Lore of Running. Livro que é escrito por um medico Sul Africano que corria ultra maratonas. Recomendo vivamente a leitura a todos os amantes da corrida. Embora seja mais um livro mais de consulta que de leitura "fio a pavio".
A ultima das Comrades foi disputada no passado dia 30 de Maio. Entre os participantes deste ano estava o Pedro Belchior.

O Pedro pertence ao meu grupo de treino "social" do Estadio Nacional. Já tem algumas maratonas nas pernas e é igualmente um "triatleta a espaços". Tendo já concluido um Iron Man. Desta vez lançou-se a um novo desafio. As COMRADES.

De seguida segue a sua cronica da prova. Muio, muito bom!! Parabens Pedro.
"Caros amigos,

Estou já a caminho de Lisboa, na nossa magnifica companhia aérea, a tentar dar-vos conta das emoções que vivi nesta impressionante prova de corrida de 89,3km.

Pré Comrades

Meus amigos, a prova começa aqui.

A minha preparação começou em Dezembro. Desde ai até à prova no dia 30 de Maio fiz 17 treinos logos, todos acima de 35km e até um máximo de 56km.
Participei em 5 maratonas oficiais e uma ultra maratona.


A Comrades

A Comrades alterna todos os anos o sentido da corrida entre Durban e Pietermaritzburg sendo um ano uphill e no seguinte, nem por isso menos dificil, downhill. A prova tem muito poucos segmentos planos, sendo disputada num ondular permanente, com subidas e, este ano, descidas demolidoras. Em 2010 subimos aproximadamente 1100m e descemos 1700. É totalmente dominada por africanos, principalmente sul africanos, e por Russos, e o corredor típico não é o skiny Keniano das maratonas, que nem se atreve a vir, mas pessoal mais encorpado e tb com mais massa gorda (QB).

Este ano, e por ser a 85ª edição, alinharam na partida 22000 atletas.

Existem milhares de ferverosos adeptos ao longo de toda a prova. Mesmo nos sítios mais remotos e ao longo dos 89km não se fazem 100mts sem apoio. Eu já participei em todas as maiores maratonas do mundo, mas esta sendo de percurso linear de um ponto ao outro (tipo maratona de Boston) é absolutamente impressionante.
A prova tem um tempo máximo para chegar à meta de 12h e vários cutoffs ao longo da prova, em que quem não consegue passar dentro desse tempo é imediatamente excluído. O conhecido chip time não é contabilizado para o tempo final de prova.

É conhecida como a mais popular, mais antiga e mais dura ultramaratona de estrada do mundo. Correu-se este ano a 85ª edição! Diz-se que todo o sul africano tem de fazer a prova pelo menos uma vez na vida.

A prova é transmitida ao vivo na TV durante todo o tempo! O período que antecede as 12h de prova é o com maior audiência. O primeiro atleta a não conseguir as 12 h tem direito a tempo de antena visto por todo o país.

Uma particularidade interessante, os kms são marcados por ordem decrescente.


A minha prova

Começámos a prova às 5:30 da manhã na cidade de Pietermaritzburg com 3ºC. Inicialmente fomos brindados com um tradicional cântico zulu seguido do hino da África do sul e depois pelos Vangelis com "cheriots of fire", até fico emocionado só de relembrar... segue-se um canto de galo e um tiro de canhão (literalmente).

Partimos um grupo de 9 Tugas, todos com diferentes perspectivas e abordagens. Eu comecei com o Tiago Dionisio, o nosso maratonista mais experiente, com cerca de 130 maratonas concluídas e 9 Comrades!, e com o Luis Pires, tb um experiente maratonista e ultra. Resolvemos, eu e o Luis, aproveitar a boleia do Tiago pois embora tencionasse ir para sub 8h disse-nos que iria ser conservador na primeira metade, pelo que só tínhamos de nos atrelar e aproveitar, visto que sub 8 era um tempo que embora possível, era muito audaz.

Foi exactamente o que fizemos, embora a meu ver tenhamos começado algo lento para as perspectivas, principalmente no inicio (primeiro 1/4), período em que tb fomos afectados pelas várias paragens de modo a satisfazer as mais diversas necessidades fisiológicas, que foram muitas, do Tiago que tem uma bexiga do tamanho de uma azeitona, do Luis que tb não aproveitou a multidão da meta para se aliviar quando ninguém dá por isso... mas eu tive o privilégio de ter sido o que mais tempo tive para desfrutar da savana africana...( nem todas as nossas necessidades demoram o mesmo tempo...), claro que o Luis fez logo um reparo em relação ao tempo que demorei no trono africano...

O segundo quarto da prova tinha menos subidas e era menos duro e aproveitamos para meter um pouco de andamento. Tínhamos terminado os primeiros 22,5km com 5min de atraso em relação ao target. Recuperamos 2min e a meio da prova estávamos com 4:03h, ainda assim 3 min atrasados. Vimos logo que a hipótese dos sub 8 era missão impossível, mas tanto eu como o Luis ficaríamos contentes com sub 9, embora soubéssemos que as 8:30 estavam ao nosso alcance e esse era agora o nosso objectivo.

A partir dos 44km começaram os problemas. Durante as longas e inúmeras subidas comecei a ficar com imensas dores no joelho, e vi a vida a andar para trás... A técnica do Tiago, tal como recomendam todos os especialistas nestas provas, sugere que nas subidas mais íngremes se façam alguns períodos a andar, que não só servem para poupar energia onde ela se gasta mais, mas tb alterar a postura e a forma do movimento. Esses segmentos não eram mais do que 15 a 30seg de cada vez e raramente fazíamos mais do que dois numa subida. Acontece que quando andava ficava pior das dores no recomeço da corrida. Pensei que iria chegar a um ponto em que só me iria restar acabar a corrida a andar e tentar ficar nas 12h. A verdade é que pouco depois das subidas acabarem ficava melhor e recuperava o suficiente para continuar com os meus Comrades, embora nitidamente a atrasa-los um pouco. Ainda lhes sugeri que se fossem embora porque estavam, na altura, melhores que eu. O Tiago e o Luis foram extraordinários e continuámos juntos.

Cumprimos os 70km e, como esta parte do percurso tinha mais decidas que subidas, consegui voltar a recuperar e manter um andamento regular.Apenas claudicava nas subidas. Claro que o Tiago andava para a frente e para trás a passear, altura em que eu e o Luis sugerimos uma vez mais, que não hipotecasse a sua prova, visto que estava francamente melhor que nós, mas ele, com a humildade que o caracteriza, disse que sempre acabou a Comrades sozinho e que este ano não o ia fazer. Aos 74km o Luis começou a fraquejar nas descidas e eu, que seguia um pouco mais à frente pois não podia parar por causa do joelho, tb já não conseguia virar-me para trás..., ia perguntando ao Tiago pelo Luis, que a partir de certa altura disse que tinha de começar a andar até nas descidas, ou seja, estava morto..., não valia a pena esperar porque íamos num óptimo ritmo.

Os últimos 14km foram sempre a abrir. Depois de ver a placa que diz 21km para o final senti uma enorme força que durou até ao final. Já só faltava uma meiazita...
Quando fizemos a ultima e enorme descida comecei com umas dores horríveis nas costas, ainda me passou pela cabeça pedir uma massagens em andamento ao Tiago... ele dizia que era normal..., claro já tínhamos 82km e corríamos a 4:50/km! Durante as rectas que antecedem a majestosa entrada no Sahara Stadium em Durban ainda comentei com o Tiago que fazia mais 10 ou 15km, todo lixado, mas fazia. A chegada ao estádio é arrepiante, com milhares de pessoas a aplaudir, um ambiente fantástico e uma festa e emoção indiscritível. A minha Filipinha voltou a encontrar-me mesmo na recta final, onde me deu a bandeira de Portugal com que passei a meta de mão dada com o Tiago.

O Tiago ganhou um "green number" que significa que completou 10 Comrades o que lhe dá o direito de usar o mesmo numero para sempre. Privilégio apenas para alguns e com direito a pequena cerimónia após a entrega da medalha. Eu estava lá :-)

Terminei a prova em 8h17e fiquei em 1381 da geral. Fiz um pace médio de 5:32min/Km, variando entre 4:25 e 8:28! O Luis tinha mesmo morrido e acabou por fazer 8h44 depois de ter andado em grande parte das descidas.


Emoções

Meus caros, sensações e emoções como estas, só quem passa por elas é que sabe como são. Para mim, só comparável com a de ter cruzado a meta do Ironman de mãos dadas com os meus filhos, dos quais senti muito a falta por sinal.

Mas tive mais uma vez o apoio incondicional da Filipa, que me tem apoiado em 99% das grandes provas a que vou e que tb faz a sua própria corrida, de forma a ver-me no maior numero de spots possíveis. Desta vez foram seis os sítios onde me viu!!!! Fazemos um pequeno briefing no dia anterior e ela fica com um pace igual ao que eu levo para a prova, ficando a saber os meus supostos tempos de passagem em todos os kms. Conhece-me melhor que ninguém e confessa que ficou preocupada quando aos 46km nos encontramos e lhe disse que me doía o joelho.


Cutoff 12h

No final de cada hora existe um grupo de pacers, chamado "bus", que ajuda os atletas a cumprir determinado tempo. Quando alguém perde o bus, não consegue atingir o objectivo a que se propôs. Isto é tão mais verdade quando se trata do bus das 12h, em que quem perde o bus é pura e simplesmente afastado da corrida, impedido de cortar a meta e fica sem direito à medalha de finisher.

Quando se aproxima um bus é sempre uma festa, pois são dezenas de atletas em delírio por conseguirem atingir o objectivo desejado. Por outro lado, os desgraçados que vêm imediatamente atrás, tentam sprintar.... após 89km... para tentarem cumprir... Agora imaginem o desespero dos bus das 12h... Um desgraçado estava a 100mts da meta e faltavam 2min para as 12h. Deram-lhe cambrias nas duas pernas, ficou agarrado a um separador do publico completamente impedido de andar sequer e a ver os segundos a passar... desespero total, só abanava a cabeça e chorava, ainda me passou pela cabeça ir ajuda-lo mas seria ele e eu desqualificado. Todo o publico em desespero a tentar dar-lhe força, mas não conseguiu. Pessoas que treinaram no duro durante seis meses totalmente desesperadas e em choque por não terem acabado por segundos. Ficaram 8000 pelo caminho....

3 minutos antes do final começa a tocar a musica que ouvimos no inicio, "chariots of fire". Arrepiante.

A grande maioria dos atletas que já terminaram a prova ficam a assistir a prova até ao final e a apoiar os sobreviventes. Até os Prós ficam.

A Comrades é isto meus amigos, um desafio físico e um teste à determinação e à capacidade de sofrimento. Na minha opinião 50/25/25.


Os Tugas

No nosso grupo fomos nove, e todos contemplados com uma medalhinha pequenina mas muito valiosa.

O "animal" do nosso grupo é evidentemente o Manel Machado, que fez 6h49 e ficou em 174 da geral. Nós somos apenas animaizinhos que conseguimos cumprir os objectivos.

Parabéns aos COMRADES Manel Machado, Tiago Dionisio, a mim próprio (não fica mal, pois não), Luis Pires, Pedro Amorim, António Conde, Luis Mota Freitas, Rui Guedes e Zé Carlos Costa.



Agradecimento

Ao Pedro Amorim por me ter desafiado para esta magnifica aventura, ao Tiago por me ter transportado até à meta, à Filipa por me aturar e me acompanhar até durante a prova , e ao Manel Machado pela ajuda nos treinos mais longos.
E por falar em treinos, obg tb ao meu filho Rodrigo e ao Gonçalo Amaro, que com 10 e 12 anos me acompanharam de bicileta em treinos de mais de 40km dando-me água e gels!, ao Carlos Amaro que tb me acompanhou de bicla, ao pessoal do estádio que ajudou a meter andamento como o Rui Campos, Paulo Guedes e Miguel Graça, aos Ironmans João Paulo Durão e Miguel Palma, que tb fizeram parte dos treinos longos comigo, ao Zé Miguel Carvalho que tb ajudou em alguns segmentos, e tantos outros.


Espero terem ficado com uma ideia desta magnifica prova e com vontade de tentar a ULTIMATE RACE.

Se tiverem curiosidade em saber mais alguma coisa acerca da prova ou mesmo ver um dos vários videos de mim ou qualquer outro participante é só ir ao site da prova. http://www.comrades.com/

Beijos e abraços"